Política
MPF criou panaceia pr�-condenat�ria
Ainda durante o curso do pronunciamento, o senador também chamou atenção para o fato de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ter desconsiderado a Súmula Vinculante número 14 do Supremo Tribunal Federal, que garante textualmente que ?É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, diga respeito ao exercício do direito de defesa?. ?O fato concreto, é que até o momento, o Ministério Público, coadjuvado histericamente pelos meios, criou, em torno da delação premiada, todo um ambiente hostil, uma autêntica panaceia pré-condenatória em que a palavra de um notório contraventor vale mais do que as prerrogativas de um agente investido de mandato parlamentar. Como é possível admitir que a palavra de coagidos detratores da lei serve para abrir inquéritos, sem que nenhuma autoridade tenha tido a oportunidade de esclarecer os pontos levantados pela investigação? No fundo, é uma decisão inserida em um processo, cuja natureza parte do pressuposto do desrespeito deliberado às autoridades constituídas?, expôs Collor. ?VERDADE ABSOLUTA? Conforme o discurso do senador, há toda uma desvirtuação da realidade por parte dos meios, que se encarregaram de tentar convencer a população de que todo e qualquer depoimento oriundo da delação premiada configura uma verdade absoluta. Pois, apontou Collor, segundo o vago entendimento desses pseudoanalistas midiáticos é de que, se o delator afirma algo, isso se torna inquestionável. Para o senador, o erro está em partir da premissa de que se o delator afirmou algo é porque ele possui provas, caso contrário ele perderia o benefício da delação premiada.