Política
For�a-tarefa do Estado quer evitar paralisa��o de obras e projetos
Quase todo o primeiro escalão do governo Renan Filho (PMDB) precisa desenterrar o equivalente a uma plantação de abacaxis, enfincada pela gestão anterior no terreno pedregoso da burocracia, sob as ervas daninhas da corrupção. Há secretários de Estado, diretores e gestores com as mãos atadas e os cabelos em pé diante do endividamento de R$ 1 bilhão, contraído em 2014, que pode impedir a realização de obras e aquisição de equipamentos em áreas prioritárias, como Saúde, Educação, Segurança Pública, Indústria e Agropecuária. Uma força-tarefa foi montada em todas as secretarias e órgãos prejudicados para evitar que dezenas de obras iniciadas se tornem ?elefantes brancos?. Os recursos vieram, mas foram remanejados para obras menos importantes e mais fáceis de realizar no final do governo passado. Por exemplo, foram quase R$ 200 milhões desviados para obras em rodovias. Fontes que atuaram diretamente nesta operação revelam que a palavra de ordem era aproveitar os ?recursos? de qualquer jeito para evitar sua devolução aos financiadores. Não à toa, os dias finais da gestão tucana foram marcados por uma série de inaugurações. O difícil agora é prestar contas da aplicação desses recursos e explicar como os milhões enviados para a construção e aparelhamento de dois departamentos de homicídios, dois departamentos de repressão ao narcotráfico, leitos de UTI Neonatal, escolas, ginásios poliesportivos, postos de saúde e expansão do trem VLT simplesmente viraram asfalto. Projetos não saíram do papel e obras iniciadas podem parar. Se as suspeitas forem comprovadas, além do oba-oba inaugural no fim do governo Vilela, a suposta irresponsabilidade também pode travar a liberação de recursos. O Estado terá de pagar a fatura dos financiamentos do Programa de Apoio ao Investimento dos Estados (Proinveste) e do Programa de Consolidação Fiscal (Procofins) e ainda precisa buscar novos para executar os projetos que viraram asfalto ou coisa que o valha, como um sistema de gestão patrimonial orçado em R$ 10 milhões, o mesmo valor aguardado para a construção de uma maternidade que ajudaria a desafogar a superlotada Santa Mônica.