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Alagoano � assessor do MJ para assuntos indigenistas

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FÁTIMA ALMEIDA Alagoano, 36 anos, formado em Direito pela Universidade Federal de Alagoas, Cláudio Luís dos Santos Beirão é o novo assessor do Ministério da Justiça para assuntos indigenistas. Apesar de jovem, ele foi credenciado para o cargo pelo seu currículo em defesa dos Direitos Humanos e pela sua afinidade com a causa indígena. Em Alagoas, Cláudio participou da Comissão de Direitos Humanos da OAB e foi assessor jurídico nacional do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Foi ele quem denunciou, durante reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington (EUA), a esterilização em massa das mulheres indígenas no Brasil. De Brasília, pelo telefone, Cláudio Beirão falou com a reportagem da GAZETA DE ALAGOAS. Segundo ele, sua missão será dar suporte ao Ministério da Justiça nessa área. Cláudio acredita que o novo governo honrará o compromisso de resgatar a dívida social do Brasil com os povos indígenas, alterando o quadro de preconceito, principal causa da violência contra os índios brasileiros. ?Temos nos deparado com problemas graves e recentes de violência contra os índios. É necessária a articulação do governo com entidades não-governamentais ligadas aos direitos humanos, para discutir a adoção de um trabalho de base, que faça reverter esse quadro?, observa. Na opinião de Cláudio, um dos problemas mais graves é o preconceito, que gera discriminação e violência. ?Vem daquele conceito historicamente equivocado de que o índio é preguiçoso, que não quer trabalhar. Isso vem do início da colonização, pelo fato de o índio ser diferente, por sua cultura, sua relação com a terra?, afirma o advogado. Ele diz que o recente assassinato de um índio por três jovens, no Rio Grande do Sul, é um dos retratos mais dolorosos dessa discriminação. ?Há regiões em que o índio é tratado como animal?, observa. Outro tipo de violência citado por Cláudio Beirão é na disputa pela terra com grande latifundiários, cujos exemplos mais gritantes e recentes vêm sendo registrados no Mato Grosso do Sul e em Roraima. Há, ainda, a violência gerada pela disputa por recursos naturais fartamente existentes em terras indígenas. ?Muitas reservas são ricas em madeira nobre, em minerais, e aí entram os interesses de madeireiras, mineradoras, gerando mais violência?, observa. Segundo Cláudio, há uma expectativa grande em relação ao governo Lula. ?É um governo que veio para mudar o modelo de tratamento com determinadas causas, e acreditamos que a causa indígena esteja entre as prioridades?, afirma ele, acrescentando que a idéia do novo governo é fazer a articulação entre os três ministérios que têm ações voltadas para os povos indígenas: Saúde, Educação e Justiça, promovendo uma discussão urgente, mas participativa, sobre os problemas e ações capazes de mudar o atual quadro.

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