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Segundo mandato: Lessa divide responsabilidade com partidos

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MARCOS RODRIGUES A reforma administrativa iniciada pelo governador Ronaldo Lessa (PSB), além de alterar o organograma de funções do Estado, promove, também, a inclusão de legendas que ainda não integravam a base de apoio do governo. Nas últimas três semanas, o Executivo vem promovendo uma reengenharia política que pretende contemplar 20 partidos emergentes. A idéia do governo é construir uma base de apoio capaz de dar solidez na Assembléia Legislativa e consolidar o segundo mandato de Lessa. A fórmula encontrada para isso é a de encaixar todas as representações partidárias nos cargos da estrutura governamental. Desde que assumiu, o governador tem declarado que depois de ter ?arrumado a casa, é hora do desenvolvimento?. Para isso, não espera encontrar barreiras partidárias que o impeçam de pôr em prática o seu discurso. Lessa pretende ser candidato ao Senado ao final de seu governo. As indicações dos representantes destas siglas vêm acontecendo para funções de segundo e terceiro escalões. A maioria dos cargos, entretanto continuam nas mãos de seu partido o PSB. No novo organograma, que foi dividido em células administrativas, apenas Arnóbio Cavalcante (da célula de Desenvolvimento Econômico) vem do PSDB e Jailson Rocha que foi indicado pelo PV. Além deles, Williams Soares e cel. Evariso Francisco dos Santos foram escolhas pessoais do governador Ronaldo Lessa e, por isso, não possuem partidos. Segundo o assessor de Comunicação, Joaldo Cavalcante, os critérios para todos os nomes foi qualificação técnica. ?Em alguns casos não prevaleceu a sigla partidária, mas sim a capacidade para as atribuições?, explicou Joaldo. Segundo o secretário de Articulação Política Wellison Miranda, nomes como Willams Soares Batista e do economista Arnóbio Cavalcante já começam a ser sondados pelo PSB. Para ele, esta não será uma imposição, mas alguns entendimentos serão mantidos. O tema vem sendo tratado com cuidado, pois a prioridade é o desempenho de cada um. Para Wellison, a distribuição das funções, de fato, possibilitará ao governo um melhor desempenho, por causa da união das siglas. ?A palavra do governo é divisão de tarefas entre as siglas, para que possamos construir uma alternância de poder?, explicou. Indagado sobre as tendências que começam a surgir dentro do PSB, ele considera um processo natural, em razão do crescimento do partido. Lideranças O governador Ronaldo Lessa revelou ter consciência de que a inclusão de mais siglas e a redistribuição de funções estaria criando novas lideranças. Para Lessa, isso é importante, pois divide a responsabilidade do governo com todas os envolvidos no projeto. ?O governo não decidirá mais sozinho. A responsabilidade é de todos a partir de agora?, acredita Lessa. Sobre a reforma, o governador tem alertado para o fato de que depois de sua implantação será necessário um prazo de seis meses para a máquina começar a funcionar como o programado pela empresa de consultoria que sugeriu as mudanças na estrutura funcional do Estado. Deputados Na reengenharia apresentada pelo governo, os deputados da base aliada tiveram um papel significativo nas indicações. O PMDB foi contemplado com indicações do deputado federal Olavo Calheiros. O partido está presente na Secretaria de Assistência social, Secretaria Executiva de Turismo e no Instituto Zumbi dos Palmares. O deputado Estadual Celso Luiz (PL) continuou com a indicação do Departamento de Trânsito (AL-Detran), depois de ameaçar não concorrer à presidência da mesa diretora da Assembléia Legislativa. O deputado João Beltrão (PSL) manteve duas indicações na estrutura do governo. Ele indicou o diretor da Agência Alagoana de Habitação e Urbanismo e o diretor da Gás de Alagoas/SA. Emergentes Entre os partidos emergentes, os conhecidos ?nanicos?, o destaque foi o PTN, que ficou com a Ouvidoria Geral do Estado. O indicado para o cargo foi o ex-candidato ao governo e advogado Elias Barros. Sua indicação custou a saída de Geraldo Magela, acomodado provisoriamente na Secretaria de Ciência e Tecnologia. A convocação de Elias para o governo é criticada por integrantes de legendas que, desde a primeira hora da campanha eleitoral do ano passado, estiveram ao lado de Ronaldo Lessa. Alguns desses partidos não se conformam de ainda estar fora do governo, enquanto o PTN, que não participou da coligação do governador, já tem representante na equipe de Lessa. As demais siglas ocupam funções no terceiro escalão e assessorias burocráticas em algumas secretarias. Com a desistência do PT de integrar a base de apoio do governo, os emergentes esperam ocupar mais espaço. Eles sonham, inclusive, com a possibilidade de emplacarem um nome para o primeiro escalão. Segundo Marcos André, dirigente do PSC, a presença destes partidos em funções governamentais é a possibilidade de garantir visibilidade. Para ele, os emergentes estão em pleno crescimento. Se depender de participação em solenidades, os ?nanicos? serão de fato os primeiros a conquistar mais espaço no governo. Em todos os eventos de posse de integrantes das legendas ou atos de governo eles estão sempre presentes. Retorno A novidade do segundo mandato do governador Ronaldo Lessa é a volta dos partidos de esquerda. O PPS e o PC do B, garantiram, inclusive, lugar de destaque no primeiro escalão do governo. Ambos indicaram Anivaldo Miranda para a Secretaria de Irrigação e Recursos Hídricos e Eduardo Bonfim para a pasta da Cultura, respectivamente. A volta dos dois partidos aconteceu graças à conjuntura nacional favorável, a partir da eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No retorno, o governo esperava atrair de volta ao palácio também, o próprio PT de Lula, mas não conseguiu chegar a um acordo. O presidente do Diretório Estadual do partido, Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, chegou a declarar que não iria brigar por cargos no governo. Neste domingo, a sigla deverá confirmar, em plenária, o não apoio a Lessa. As siglas Integram o segundo mandato do governador as seguintes legendas: PMDB; PSDB; PC do B; PPS; PDT; PSC; PSL; PT do B; PH; PHS; PAN; PV; PGT; PRT; PSB; PRONA; PMN; PRS; PSDC e PTC. A maioria das legendas ainda não possui visibilidade nas funções administrativas. Mas o próprio governador já garantiu que terá como acomodar todos na estrutura do governo.

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