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‘Popula��o confia mais na Justi�a’

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Como em toda revolução, há riscos. Guilhotinas e paredões podem suceder as conquistas. O presidente do TJ, desembargador Washington Luiz, parece estar consciente dos desafios que encontrou ao empunhar o cetro do Poder Judiciário em Alagoas. ?A conscientização das pessoas começa a ser um fato constatado. Antigamente não havia tanta divulgação nos meios de comunicação acerca dos direitos. Outro ponto é a credibilidade que o Judiciário alcançou. Nos últimos tempos, tivemos mensalão, petrolão e poderosos indo para a cadeia?, observa Washington, explicando os motivos para tamanho aumento da demanda. Diante do enigma, o magistrado alagoano pode até se revestir da astúcia de um Édipo para vencer a Esfinge. Assim como o herói de Tebas, a Justiça encontra uma resposta: a cultura de conciliação pode aliviar a pressão da enxurrada de processos. Mas ambos ficam cegos e, como no mito, não podem fugir do seu destino. A disputa judicial revela traumas que a conciliação pode evitar. Com o acordo, a solução do conflito tem outro desfecho. Afinal, a vida real pode ser bem diferente de uma tragédia grega. A resposta foi encontrada, mas precisa ser posta em prática. A ideia da conciliação ainda engatinha diante da antiga cultura litigiosa, que caminha a passos largos até caducar com a bengala da morosidade. O Núcleo Permanente de Solução de Conflitos do Tribunal de Justiça (NJUS) encara o desafio de promover a cultura do consenso em detrimento da litigância. Para tanto, precisa promover acordos entre as partes para pôr fim em processos judiciais em andamento, bem como resolver pendengas antes que se tornem processos. É preciso quebrar paradigmas. O coordenador geral do NJUS, desembargador Domingos de Araújo, sabe que não é fácil e prioriza o trabalho junto às novas gerações, até porque a proliferação de faculdades de Direito requer atenção. ?Nós, os operadores do Direito, até pouco tempo, éramos talhados para litigar, formados para ganhar a causa. O advogado ficava limitado a querer ganhar a causa, em detrimento do outro. O maior desafio é mudar a cultura. Eu conheço casos de advogados que dizem que não fazem conciliação porque perdem honorários, o que é uma inverdade?.

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