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ALE ‘barganha’ vota��o da 17� Vara com Executivo

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A demora da Assembleia Legislativa Estadual (ALE) em apreciar os vetos do governador Renan Filho (PMDB) à 17ª Vara Criminal se transformou num jogo de empurra. Depois de criar um ?monstrengo engessado? ? como o projeto chegou a ser chamado por membros do Judiciário ?, deputados novatos e veteranos entraram num embate que esconde o desejo de algumas lideranças da Casa de ?barganhar? junto ao Executivo. A pressão deve continuar até a próxima terça-feira, data em que o parecer sobre a matéria deverá ser apreciado. Em plenário, entre os deputados que se manifestam e os que silenciam há algo em comum: a desconfiança com a postura governista. É que ao vetar as emendas que alteraram a redação encaminhada pelo Tribunal de Justiça, os deputados mudaram o projeto e enfraqueceram a 17ª Vara, que, entre outras ações, pode investigá-los. A medida também tira o foco de um dos principais compromissos do atual governo - o combate ao crime organizado. Quando vetou parte do texto, Renan Filho não teria escutado nenhum parlamentar ou grupo da ALE, já que dispõe de maioria na Casa. Mas, agora, o governador se vê pressionado nos bastidores a abrir às portas do Palácio República dos Palmares. Para os mais experientes, esse gesto, além de demonstrar o apoio do governo à Casa, também representaria a conquista de espaço dentro do Executivo para alguns deputados. Isso porque na distribuição de cargos do terceiro e quarto escalões, não prevaleceu o ?toma lá, dá cá? que sempre norteou a paz entre Executivo e Legislativo em anos anteriores. É por meio desse tipo de manobra que o governo garante capilaridade política, a possibilidade dos deputados agirem em defesa dos interesses de seus aliados. Além disso, também assegura visibilidade nas inaugurações, visitas às bases e articulações junto aos prefeitos que apoiam e de quem receberam apoio nas eleições. Diante desse cenário, e como as discussões em apoio aos vetos criaram um clima de ?bem e do mal? na ALE, quem vem da legislatura anterior - que aprovou o texto por unanimidade - agora se vê na constrangedora função de ?fechar o voto? com o governo, mesmo tendo dito sim ao projeto no passado. Conforme analisou o deputado Galba Novaes (PRB), o ?mostrengo? ? como classificou o ex-presidente do TJ, desembargador José Carlos Malta Marques ? foi votado sem que as pessoas soubessem o que estava sendo votado. ?Por conta de coisas assim, só demonstra a necessidade de que tenhamos uma Escola Legislativa que funcione para capacitar deputados e servidores?, disse Novaes nos corredores da ALE. A crítica atinge frontalmente a antiga Mesa Diretora, à época presidida pelo então deputado Fernando Toledo, que estava com sua gestão sendo investigada pelo Ministério Público Estadual (MP).

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