Política
Falta de monitores prejudica alunos especiais do Estado
Não vejo, não falo, não escuto. A imagem clássica dos três macacos com as mãos tapando os olhos, boca e ouvidos poderia ser a marca registrada da Educação Especial nas escolas públicas do Estado. No provérbio japonês, os símios são sábios porque não veem, falam ou escutam nenhum mal. Mas em Alagoas, uma infinidade de estudantes especiais tem a audição, visão e fala tapados à força pela burocracia, incompetência e desleixo da administração pública. Cegos, surdos e deficientes intelectuais são forçados a entrar em salas de aula sem intérpretes, leitores e auxiliares de sala que os ajudem a assimilar o conhecimento. As mães sofrem junto com os alunos especiais. ?O meu filho não escuta, o intérprete não vem e ele fica ?voando? na sala?, denuncia Maria Cecília Monteiro. ?Quando não tem intérprete, eles ficam inquietos e tem professor que manda o aluno de volta para casa?, reclama Cristiane de Moraes Santos. ?Eu tenho que pedir ao professor para ela ficar, é uma humilhação, dá vontade de chorar, eu sinto que estão enjeitando a minha filha? completa Sandra Maria Costa. ?Muitas vezes eu me sinto furiosa, é um preconceito, as crianças sofrem bullying , o Estado devia valorizar mais, não estamos pedindo favor, é um direito nosso?, afirma Jucilene Maria dos Santos. O Estado de Alagoas abandonou a contratação de profissionais da Educação Especial e deixou seus alunos ao léu. O problema, que deveria ser resolvido em janeiro do ano passado, foi empurrado com a barriga, no final do governo anterior, e caiu como uma bomba-relógio para ser desativada no começo da atual gestão. Hoje, há 365 monitores da área com os contratos vencidos ou prestes a vencer. Eles param de ir às aulas e os portadores de necessidades especiais ficam às tontas.