Política
AL tem 208 menores infratores
Julgar um adulto que pratica assalto, mata ou é traficante de drogas parece um raciocínio lógico: cadeia. Crescemos ouvindo a cantiga de que aquele que transgride as regras estabelecidas pelo Estado deve arcar com as consequências de seus atos. Afinal, é para isto que existe o sistema prisional que detém o criminoso pelo tempo que a Justiça achar necessário. Mas e se o transgressor for uma criança? O julgamento torna-se complicado diante dos menores nascidos nas favelas que se reproduzem em morros e periferias das cidades, que por volta dos 12, 15, 17 anos estão imersos na criminalidade, meio de vida da maioria. Nos últimos anos, a cada novo levantamento que os governos estaduais realizam, constata-se que a entrada de menores no mundo do crime tem crescido. Todos os dias, adolescentes são apreendidos, passam pelas unidades de internamento, fogem, são liberados, voltam a cometer delitos e esse círculo vicioso termina aos 18 anos, para iniciar um novo círculo, desta vez, como adultos que são, e sem os cuidados aplicados aos menores. Em Alagoas, essa realidade não é diferente e, dia após dia, novos adolescentes são apreendidos pelas forças policiais. De acordo com a Secretaria de Estado da Defesa Social e Ressocialização (Sedres), atualmente 208 menores socioeducandos são acolhidos pelo Estado e estão distribuídos entre as oito unidades de internação provisória existentes na capital e no interior do Estado. No entanto, a conta não fecha, pois, conforme explicou Elizabeth Kummer, gestora da Superintendência de Assistência Socioeducativa (Sase), existem 170 vagas destinadas para os menores. E das oito unidades que recebem os menores, quatro passam pelo processo de reforma e construção. Os dados informados referem-se ao período de julho a dezembro de 2014, sob justificativa de que esses números não foram contabilizados pela gestão passada. Só nesses seis meses, 75 garotos com 16 anos e outros 92, com a idade de 17 anos, deram entrada no sistema.