Política
Agricultores desempregados esperam ajuda de deputados
ARNALDO FERREIRA A Assembléia Legislativa é a Casa político-parlamentar que cria as leis, fiscaliza os poderes e, em tese, defende os interesses do povo alagoano. Dona de um orçamento milionário, no ano passado chegou a receber R$ 71 milhões, é a imagem da contradição. Os 27 deputados - cada um custa em média R$ 66 mil/mês ao contribuinte - não conseguem criar soluções simples para problemas pequenos que estão sob seus olhares, como é o caso de seis famílias de trabalhadores rurais desempregados acampadas na porta do poder. Trabalhadores como o agricultor Cícero Idalício da Silva, 52, que há 15 dias dorme com a mulher, Maria de Lourdes dos Santos, 40, e os filhos: J.R., 10, M.L., oito, M.I.J, sete, e o pequeno J.W, de um ano e dois meses, em frente à Assembléia. Com um marca-passo visível no peito, Cícero, que tem o sobrenome ?da Silva?- como o presidente Lula -, sonha com o dia em que os deputados vão aparecer e ajudá-lo a sair da miséria em que vive com a família. ?Hoje não posso trabalhar por causa do marca-passo no coração. O jeito é colocar a mulher e as crianças para pedir esmola no sinal (que fica em frente à Igreja da Catedral, perto da Assembléia)?. Ele não conhece nenhum dos deputados, por isso nem nota quando eles chegam à sede do Legislativo. Cícero trabalhava nas terras da Usina Bititinga, no município de Murici. A usina faliu e ele descobriu que tinha problemas de coração causados pelo trabalho duro na lavoura da cana. Hoje, sua tristeza é ver as crianças fora da escola e esmolando. A mulher de Cícero é mais conformada. ?Se não botar as crianças para pedir, elas morrem de fome. Então, tem de pedir mesmo, até aparecer um filho de Deus que tire a gente desta miséria?, sonha Maria de Lourdes, enquanto cata piolhos na cabeça do filho caçula.