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Collor acusa Janot de chantagem e de irregularidades na Procuradoria

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O senador Fernando Collor de Mello (PTB) discursou no Senado Federal, na tarde de ontem, para denunciar que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vem sendo complacente com ?casos emblemáticos? de mau uso do dinheiro público praticado por integrantes do Ministério Público Federal (MPF). Collor acusou Janot de praticar chantagem, pois pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a quebra de seus sigilos bancário e fiscal um dia após o senador ter protocolado representações por crime de responsabilidade contra o chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR). ?O chantagista comigo não se cria?, afirmou. Para Collor, a solicitação apresentada pelo procurador-geral ao STF teve como intuito a intimidação. Essa conduta do procurador, classifica Collor, tem nome: é chantagem. ?Só que o senhor Rodrigo Janot, o chantagista, comigo não se cria: estiola?, acrescentou o senador. A título de exemplo do mau uso do dinheiro público no MPF, o senador discorreu sobre dois casos emblemáticos com o pagamento de diárias e passagens aéreas. O primeiro caso se refere ao chefe de gabinete de Janot, procurador Eduardo Botão Pellela. Em 18 meses, segundo dados da PGR, o auxiliar direto de Janot teria recebido R$ 84.846,22 mil por um total de 25 viagens, sendo nove delas para fora do Brasil. Outro caso marcante diz respeito ao subprocurador-geral, Aurélio Virgílio Veiga Rios, que, em 20 meses, realizou 31 viagens, sendo sete para fora do Brasil. Por todos esses deslocamentos, apontam os dados da Procuradoria-Geral, o subprocurador teria recebido a título de diárias R$ 93.387,45 mil. Nos últimos 20 meses, esses dois servidores ligados à procuradoria-geral receberam mais de R$ 177 mil em diárias. ?Há fortes indícios, ainda, de desperdícios de dinheiro público e o uso compensatório de instrumentos administrativos, como o pagamento de diárias para reforçar vencimentos. Sem dúvida, são valores que ultrapassam os limites da moralidade, da razoabilidade e da probidade administrativas, especialmente quando se referem a recursos públicos. E tudo isso, diga-se, autorizado expressamente pelo procurador-geral da República?, apontou Collor. Ele teve acesso a aproximadamente 15 mil registros de viagens e diárias do MPF entre os anos de 2013 e março de 2015.

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