Política
Reforma divide opini�es entre lideran�as pol�ticas
Apesar de manter grande parte do sistema eleitoral brasileiro inalterado, a reforma política ? que começou a ser votada na Câmara dos Deputados na última semana ? trouxe uma mudança significativa. O fim da reeleição para cargos do Executivo foi aprovado massivamente por 452 votos contra 19, e uma abstenção. Na bancada alagoana, o apoio à medida foi quase unânime. Só o deputado federal Marx Beltrão (PMDB) votou contra o artigo da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 182/07, que impossibilita prefeitos, governadores e presidentes de terem um segundo mandato consecutivo. Enquanto a maioria considera um mandato suficiente para promover avanços, Beltrão acredita que a falta de perspectiva de um segundo período no poder deve levar alguns gestores a investirem somente em ações de curto prazo e pouco impacto, que tragam visibilidade aos seus nomes ainda durante a gestão. ?Tem muito prefeito que pensa apenas na sua gestão e não está ?nem aí? para o futuro do município. Não toma decisões pensando a longo prazo, só pensa no momento atual. Quando ele souber que não voltará à prefeitura ?amanhã?, ele só vai realizar ações pequenas, pouco estruturantes. Não vai pensar em planejar uma saúde e uma educação melhores, para receber investimentos de longo prazo?, defendeu. O deputado, que já foi prefeito reeleito no interior alagoano, acredita que acabar com a reeleição não resolve os problemas de gestão do País. ?Na minha opinião, isso pode atrapalhar. Lógico que há casos em que fizeram um primeiro mandato bom e um segundo ruim, mas acho que o fim da reeleição pode fazer com que o único mandato seja ruim?. O deputado federal Cícero Almeida (PRTB), que foi prefeito de Maceió por duas vezes seguidas, diz que em quatro anos é possível administrar uma cidade com competência. ?Concordo plenamente. Votei pelo fim [da reeleição] e acho que quatro ou cinco anos, como estamos discutindo, é tempo suficiente para mostrar que se tem competência ou não para administrar uma cidade de pequeno ou médio porte?, afirmou. ?Política, para mim, não é profissionalismo, não é para fazer carreira, é para fazer o bem?.