Política
PF investiga esquema de sonega��o
A Polícia Federal deflagrou, ontem, a Operação Iscariotes, para investigar supostos esquemas de fraude contra a Receita Federal cometidos por empresas que deixavam de recolher os impostos. Segundo a PF, o esquema consistia em realizar compensações tributárias de forma ilegal, por meio da apresentação de títulos públicos sem nenhum valor, gerando prejuízos milionários aos cofres públicos. Detalhes da operação foram repassados após a ação pelo superintendente da Polícia Federal em exercício, André Santos Costa, e o delegado da PF Gustavo Gatto, que comanda as investigações. ?Hoje [ontem] foi deflagrada a fase ostensiva da operação, que teve início no começo deste ano, após a instauração de um inquérito policial para apurar a suspeita de fraude contra a Receita Federal. Foi a fase para realizar as buscas e os materiais apreendidos e chegar a maiores conclusões?, explicou o superintendente em exercício, André Santos. Conforme a Polícia Federal, a fraude consiste na comercialização de Títulos da Dívida Agrária (TDAS), conhecidos como títulos podres, já que não têm a força de fazer pagamento de compensação tributária. ?Existe uma empresa que está comercializando estes títulos para que outras usufruam de compensações tributárias. Essa empresa suspeita geralmente procura empreendimentos grandes, que pagam em média, por mês, R$ 500 mil ao Fisco. E para dar um ?ar? de credibilidades a esses títulos, ela tem apresentado um termo que seria assinado pela Santa Casa de Misericórdia de Maceió afirmando que a própria instituição estaria usando esses títulos para compensações tributárias de contribuição previdenciária?, explicou o superintendente. No caso, a Santa Casa de Misericórdia ? que seria uma das empresas a usar esse serviço ? faria a retenção das contribuições previdenciárias dos seus funcionários e o dinheiro não estaria sendo repassado à Receita Federal. ?Ao invés de repassar estes valores, as empresas têm utilizado estas TDAS para compensação tributária. Esta é a suspeita da investigação?, ressaltou o superintendente. Como a fase inicial das investigações se resume a coletas de provas, muitas informações ainda serão levantadas pela Polícia federal. ?Ainda não sabemos quantas empresas foram atraídas para o sistema?, explicou o delegado Gustavo Gatto, que coordena as investigações, ressaltando que elas apuram o período de 2010 a 2015.