Política
Parlamentares desconhecem Plano
Uma das polêmicas mais retumbantes dos últimos anos em Alagoas encontrou porta-vozes ativos nas duas principais ?Casas do povo? ? a Assembleia Legislativa Estadual (ALE) e a Câmara de Vereadores de Maceió. Antes mesmo de os Planos de Educação chegarem aos parlamentos para apreciação, os pontos que tratam do respeito à diversidade sexual e da igualdade nas relações de gênero vêm sendo repercutidos por deputados e vereadores que já abraçaram posicionamentos contrários ou a favor. O curioso, para não dizer preocupante, é que muitos deles não leram os planos ? disponíveis na internet ? e admitem que não buscaram informações oficiais para confrontar com os argumentos apresentados por pais e pessoas ligadas a movimentos políticos ou religiosos. Na ALE, o deputado Dudu Hollanda (PDT) é um dos mais envolvidos no debate. Há algumas semanas, um pronunciamento dele na tribuna da Casa chamou atenção. Empunhando cópias de notícias falsas publicadas por sites de humor, ele bradou que ?homem é feito para a mulher? e que não permitiria uma discussão que falasse de ?safadeza? com crianças. Na última semana, o deputado recebeu a reportagem da Gazeta em seu gabinete para falar do assunto. De posse de uma pilha de papéis, onde imagens retiradas de livros de educação sexual se misturavam a páginas de cartilhas apócrifas e a algumas matérias humorísticas, Hollanda reconheceu que não leu a versão preliminar do Plano Estadual de Educação (PEE) e afirmou que absorveu ?os argumentos dos pais, saindo em defesa da população?. ?Não, não li. Esse aí eu ainda não vi?, disse, apontando para uma cópia impressa do capítulo do PEE, entregue pela Gazeta. Demonstrando desconhecimento quanto ao teor do plano, que está disponível para consulta pública no site da Secretaria de Estado da Educação (SEE), o deputado afirmou ser contra a ?disciplina sobre ideologia de gênero para crianças?. No entanto, o documento não prevê uma disciplina para alunos, tampouco faz referência a alguma ideologia. Alertado sobre a desinformação, Hollanda justificou. ?Na verdade, eu me posicionei diante das informações que eu tive. Da forma que os pais se reuniram aqui, assustados, não atentei que [o material] era falso. Era um terrorismo?, disse, descrevendo o clima de pânico do grupo que o procurou.