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Comiss�o da Verdade conta nova vers�o da ‘guerrilha de Pariconha’

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Entre os relatos e depoimentos colhidos pela Comissão Estadual da Memória e Verdade Jayme Miranda, instituída em setembro de 2013, com a missão de reconstituir a história dos excessos ocorridos em Alagoas, durante a vigência da ditadura militar, um dos casos que mais chamaram a atenção do seu presidente, procurador da República Delson Lira, foi o da chamada ?guerrilha de Pariconha?. Não somente a ele, como aos demais membros da comissão, alguns, como a professora aposentada Alba Correia, parte integrante dessa história, ainda que de forma indireta. ?Quando lemos, estudamos, sobre esses acontecimentos históricos, sempre pensamos que sabemos tudo sobre aquela época. Quando temos contato com as pessoas que viveram essa história, ouvimos seus relatos, sempre nos surpreendemos. Causa uma sensação muito forte, ouvir das pessoas que foram presas e torturadas; tratadas como criminosos; vítimas de prisões ilegais; pais e filhos que foram desagregados, obrigados a desaparecer por anos; muitos nunca mais apareceram. Cada caso tem as suas peculiaridades, e Pariconha é parte importante dessa história?, reflete Delson Lira. Não à toa, a Comissão da Verdade dedicou algumas de suas oitivas ao ?pessoal de Pariconha?, ligado à antiga Ação Popular, movimento de resistência e formação política, inicialmente ligado à Igreja Católica, que criou ali, no alto sertão de Alagoas, no povoado que pertencia ao município de Água Branca, entre trabalhadores rurais, um núcleo de formação política para resistência ao regime militar, mais tarde transformado numa Escola de Formação Político-Militar e numa base de treinamento para a luta armada. Na verdade, a tal ?guerrilha de Pariconha? nunca aconteceu. E aqueles camponeses que se organizavam em torno da Cooperativa e do Sindicato dos Trabalhadores Rural nem desconfiavam que aqueles dois casais de forasteiros com filhos pequenos - Juarez Echeverria e Rosa Maria dos Santos, e Paulo Ferreira e Maria Auxiliadora - que chegaram por ali, fixaram moradia, se engajaram e ajudavam na organização das duas entidades, eram, na verdade, os revolucionários Gilberto Franco Teixeira e sua esposa Rosemary Reis Teixeira, com a filha Rita, e o ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Aldo Arantes, com a esposa Dodora e os filhos André e Pryscila. Também não sabiam que Juarez, ?contador? do Sindicato e da Cooperativa, não entendia nada do ofício e levava tudo para outra pessoa fazer; e que o seu primo, Roberto, na verdade só o conhecera quando chegou ao povoado. Mas gostavam da maneira como eles falavam, cheios de sabedoria; das aulas de alfabetização das professoras Rosa e Auxiliadora, embora não soubessem quem era aquele tal Paulo Freire que embasava o método de ensino usado por elas. E a exceção de algumas cabeças mais politizadas, entre eles os irmãos Correia (José, Josué e Jaime) e o presidente do Sindicato, José Novais, a maioria dos camponeses nem desconfiava dos armamentos e equipamentos escondidos embaixo da terra, na Serra do Pajeú, e muito menos dos treinamentos de tiro realizados no meio dos xique-xiques e mandacarus. Também não se intimidaram, em pleno regime militar, quando Juarez/Gilberto, do meio da multidão, questionou o então governador Lamenha Filho, durante seu discurso, e foi cercado pela polícia. Pelo contrário, começaram a vaiar o governador e cercaram a polícia, impedindo que Gilberto fosse preso, conta Aldo Arantes, em seu livro Alma em Fogo ? memória de um militante político, em que dedica algumas páginas ao episódio de Pariconha.

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