Política
Os bandidos n�o sitiar�o as nossas cidades
Há mais de uma década, Alagoas ostenta o primeiro lugar na triste estatística do Ministério da Justiça que mostra os índices de violência nacional. As reduções dos homicídios violentos até então eram tímidas. Na última quarta-feira, o secretário de Defesa Social, Alfredo Gaspar de Mendonça, em entrevista concedida na TV, Rádio e Jornal Gazeta surpreendeu os jornalistas e a sociedade ao anunciar a transferência de 400 chefões do crime para o agreste e revelar a redução de 22,9% dos homicídios em relação aos primeiros seis meses do ano passado. Com uma postura firme e determinada, falando como os xerifes dos filmes de cowboys, apresentou argumentos sobre a redução de assaltos a ônibus e bancos. Porém, ele cobrou das empresas mais comprometimento com a segurança patrimonial. O promotor de Justiça, que foi uma das autoridades importantes do Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) do Ministério Público, mantém a rotina de ir à missa dominical com a família. Mas, agora, com menos intensidade. Acompanha o combate ao crime em tempo real. Nas ações mais fortes, inclusive nas madrugadas de fim de semana, faz questão de estar à frente de seus comandados. ?Lugar de bandido é na cadeia?, defende o secretário, ao revelar como é o seu dia a dia à frente da pasta mais emblemática do Estado. Alfredo Gaspar aceitou o convite para comandar a Segurança Pública e administração presidiária com três objetivos fundamentais: reduzir os homicídios violentos, o tráfico de drogas e os crimes patrimoniais. Ele explica como faz e os resultados já obtidos. Gazeta. Secretário, os bandidos estão mais ousados? Recentemente, um dos bandos fez PMs reféns no assalto a uma agência bancária de Canapi. Como o senhor vê esta situação? Alfredo Gaspar ? Alagoas, hoje, é o Estado com o menor número de assaltos em agências bancárias em relação aos estados do Nordeste. Só este ano, conseguimos desbaratar seis quadrilhas que atuavam com frequência na região. Costumo dizer que não me preocupo muito com a instituição financeira. Os bancos teriam que ter uma estrutura de segurança melhor. Preocupo -me muito com os policiais e com a sociedade. Sei, também, que temos que dar segurança às instituições financeiras. Mas quero deixar bem claro que Alagoas hoje vive um momento de tranquilidade em relação a crimes financeiros em agências bancárias. Sergipe, por exemplo, nos últimos quatro dias, registrou cinco explosões a agência bancária. Com relação a esse caso de Canapi, nós vamos pegar os criminosos que são de outro Estado. Infelizmente, a fronteira entre Pernambuco, Bahia e Sergipe é de fácil locomoção. Agora não pensem os bandidos que vão sitiar as nossas cidades. Se ousarem, serão surpreendidos com ações de segurança pública, como já houve em passado recente. Não deixaremos os bandidos fazer nossos policiais reféns. A polícia foi feita para ser maior que os bandidos e assim será. Como acontece este trabalho? Este trabalho é integrado com Polícias Civil, Militar, Força Nacional, Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, Perícia... Nos últimos seis meses, registramos redução da criminalidade como um todo. Em crimes de morte, que no mesmo período do ano passado nós liderávamos a estatística, estamos com mais de 260 vidas preservadas. Isto representa uma redução de 22% das mortes. Mas ainda se mata muita gente em Alagoas? Mata. Queremos reduzir os crimes para níveis toleráveis. E uma determinação do governador Renan Filho é reduzir ainda mais os números de homicídios. Para isso, ele tem dado a assistência que precisamos. Nossos homens estão em campo para apresentar resultados à sociedade. Tudo isso tem um objetivo: a paz. Queremos que Alagoas se destaque pela paz. É difícil mudar a cultura da morte fácil, mas mostraremos com investigação, prisões, ostensividade e com o fim da impunidade. Como? Temos mais de 600 presos em relação ao mesmo período do ano passado e são presos com investigação de qualidade. Presos que permanecem [detidos]. Lugar de bandido, de criminoso é na cadeia. Mas e os bandidos que comandam os crimes nos presídios? Por isso transferimos mais de 400 criminosos considerados importantes para o Agreste. Lá, ficam mais isolados. Isto ajudou a desarticular as regiões de tráfico, reduzir a criminalidade. Vamos implantar, em breve, bloqueadores de celulares nos prédios da capital. E os ataques a ônibus? Foi uma ação clara contra as ações de segurança pública. Nós temos que enfrentar problemas como este, tanto que já prendemos mais de 30 acusados de participar daqueles ataques. Nós vamos enfrentar com a lei os criminosos que tentarem contra o estado de Direito. E os assaltos a coletivo? De janeiro a maio, registramos 230 roubos a ônibus. No ano passado, foram 517. Reduzimos, também, o número de crimes contra o patrimônio e o tráfico de drogas. Hoje, estão faltando drogas nas bocas de fumo. Isso tem gerado violência. Mas este é o resultado do trabalho da nossa inteligência policial e das ações integradas. Existe efetivo policial suficiente para garantir a segurança dos alagoanos na capital e no interior? Não temos. O governador Renan Filho recebeu a segurança pública com um quadro deficitário muito grande. Temos seis meses de governo e este foi o único Estado do Brasil cujo governo recebeu a administração acima do limite de tranquilidade fiscal. Mas há um trabalho intenso no sentido de equilibrar a situação financeira e aí a gente espera que possa chamar o pessoal da reserva técnica ainda este ano.