Política
Trabalho infantil ganha as ruas da capital
MARCOS RODRIGUES O combate ao trabalho infantil é a prioridade do delegado regional do Trabalho, Ricardo Coelho de Barros. O desafio é grande, o problema está presente nas ruas da capital e em várias cidades como: São Miguel dos Campos, Flexeiras, Joaquim Gomes, Arapiraca e Maceió. Estes e todos os municípios atendidos pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) serão visitados pelos técnicos do órgão. O programa nasceu exatamente para acabar com esta situação. Mas não precisa ir longe para encontrar flagrantes de exploração do trabalho de crianças. Diariamente nas ruas da capital circulam aproximadamente 1.600 crianças. Destas, 75% vem do interior e 25% são oriundos da periferia. Nas ruas têm contato com exploradores de sua mão-de-obra, em alguns casos os próprios pais. Ficam expostas a ?cola de sapateiro? que em pouco tempo têm contato. Ainda assim o coordenador da Organização Não-Governamental Catarse, Walmar Buarque, considera fácil resolver o problema. ?É só querer. Falta interesse das pessoas envolvidas com órgãos que cuidam e atendem as crianças?, critica. Para ele, os prefeitos devem desenvolver políticas de fixação nas cidades. ?Se não elas e as famílias vêm pra cá?, argumenta. Como trabalho, as crianças entram em atividades, como limpeza de pára-brisa, engraxate e ambulantes. Nos sinais, os menores circulam entre os carros e convivem com realidades das mais ingênuas até as mais cruéis. Ganham em média R$ 6,00 dia. A GAZETA acompanhou um dia de trabalho num dos sinais da capital. As crianças ficam sempre em grupo e acompanhadas à distância por adultos. Maria das Graças, 32, é um deles. Ela traz os dois filhos para ganhar trocados. ?Eles me ajudam em casa?, conta, desconhecendo que pode ser presa por exploração dos próprios filhos.