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Partidos j� t�m 14 pr�-candidatos a prefeito de Macei� / Parte I

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ARNALDO FERREIRA O processo eleitoral brasileiro não dá trégua aos eleitores. De dois em dois anos têm eleições e candidatos para todos os gostos. Isto obriga os partidos políticos a não parar as suas atividades e o eleitor a ficar atento. Tanto é verdade que há menos de um mês da posse do novo presidente da República e dos governadores, os partidos trabalham para aumentar os quadros de filiados e em torno de seus pretensos candidatos a prefeito e a vereadores das eleições municipais que vai acontecer em outubro de 2004. As articulações de bastidores já começaram na maioria dos cinco mil municípios brasileiros. Em Alagoas, a prefeitura mais cobiçada é a de Maceió: 25 partidos estão de olho na cadeira ocupada há sete anos pela prefeita Kátia Born (PSB). A maioria dos partidos promete lançar candidatos. Só o partido da prefeita tem quatro candidatos se engalfinhando internamente: o vereador Marcos Vieira, os deputados federais Givaldo Carimbão e Maurício Quintela e o vice-prefeito Alberto Sexta-Feira. Os quatro têm um discurso semelhante quando são questionados sobre as suas candidaturas: ?Somos soldados do partido e estamos prontos para entrar na disputa se formos convocados?. Nos bastidores, todos têm estratégias distintas e tentam se articular da melhor maneira possível para ganhar visibilidade na mídia e junto aos eleitores. A prefeita Kátia Born (PSB) estrategicamente não demonstra simpatia especial por nenhum deles e garante que seus correligionários são bons políticos e aptos a assumir a prefeitura da capital alagoana. Justifica a posição dúbia, alegando que, ?se eu disser agora quem é o meu candidato, vou gerar um problema para o partido e comprometer a minha governabilidade. Por enquanto, o momento é de conversas e de articulação?. Kátia, no entanto, vai ficar com aquele que melhor se adequar ao seu projeto de ser a candidata do partido à sucessão de Ronaldo Lessa na eleição de 2006. Por isso, adianta que ?o meu partido terá um candidato forte para continuar trabalhando com amor para a cidade e ajudar o governador Ronaldo Lessa (PSB) no seu segundo mandato?. Baixa tucana Os tucanos tiveram uma baixa que abalou, pelo menos momentaneamente, as pretensões de ganhar a Prefeitura de Maceió. A saída do vice-prefeito Alberto Sexta-Feira dos quadros do PSDB para se filiar ao PSB em outubro passado deixou o partido sem um nome forte para enfrentar o candidato governista. Mesmo no PSB, Sexta-Feira é considerado um candidato ?fortíssimo? e agora é uma espécie de trunfo da prefeita Kátia Born. O presidente do diretório municipal do PSDB, vereador Jorge VI, hoje é o nome estratégico do grupo do senador Teotônio Vilela Filho (presidente do partido). ?Todos os partidos almejam chegar ao Poder. Logo, é natural que o PSDB pense na Prefeitura de Maceió?, disse o vereador, que não descarta a possibilidade de ser candidato a prefeito. Porém, adiantou que antes de discutir nomes os tucanos querem ampliar as opções partidárias. Neste momento, o PSDB desenvolve o projeto de ampliação dos quadros partidários da capital e interior para a disputa do próximo ano. ?O momento é de aumentar as forças e de articulações?, defendeu o vereador. Estratégia do PMDB A maior liderança do PMDB alagoano, o senador Renan Calheiros, depois de desistir da disputa à Presidência do Senado, agora acompanha, de perto, a movimentação de bastidores na maioria dos 102 municípios. Como venceu o último pleito com votos em todos os colégios eleitorais alagoanos, é natural que fique atento às eleições municipais, dizem seus aliados. Assim, Renan trabalha, politicamente, pensando nas eleições de 2006 e o PMDB discretamente o aponta como um candidato natural à sucessão de Ronaldo Lessa, que almeja disputar uma cadeira do Senado. Para fortalecer esse projeto, o PMDB trabalha para eleger a maioria dos 102 prefeitos, vereadores e se possível ganhar a Prefeitura de Maceió. O presidente do partido, o suplente de senador José Costa, tem como missão convencer um dos cardiologistas mais respeitado de Alagoas, José Wanderley Neto, a aceitar ser candidato a prefeito de Maceió. Esta é a terceira tentativa de convencimento que o partido fará. Wanderley continua saindo pela tangente e diz apenas que é um militante do PMDB e uma pessoa muito amiga do presidente do partido e do senador Renan Calheiros. Aos amigos íntimos confidencia, porém, que ?ninguém é candidato de si mesmo. Para uma pessoa ser candidato a prefeito, por exemplo, é preciso haver uma conjugação de interesses, de forças e, fundamentalmente, apoio popular. Se eu conseguir reunir tudo isso, não há como não ser candidato. Mas a minha praia não é essa?, diz Wanderley. Heloísa e o PT O Partido dos Trabalhadores não caiu no chamado ?canto da sereia? montado através de um projeto de coalizão, sob o argumento de garantir a governabilidade de Ronaldo Lessa. Fora da máquina do governo estadual, agora o partido se sente à vontade para participar e disputar a maioria das prefeituras. Um dos projetos prioritários é ganhar mais cadeira na Câmara dos Vereadores, onde já ocupa duas das 21 cadeiras e a prefeita da capital. O presidente do partido, Paulo Fernando dos Santos, Paulão, considera que este é um bom momento de aproveitar a onda Lula e ganhar espaços estratégicos nos municípios. Para a Prefeitura de Maceió, já existem três candidatos do PT prontos para disputar as prévias do partido. A novidade é a volta da senadora Heloísa Helena à batalha eleitoral. ?Se as pesquisas populares apontarem meu nome como uma forte candidata, tenho a obrigação de disputar a prévia com os candidatos do PT?, disse a senadora, reconhecendo que já existe a candidatura do vereador Judson Cabral. Heloísa entrou na política partidária e se elegeu como vice-prefeita de Ronaldo Lessa em 1992; foi a primeira do partido no Estado que ocupou uma das 27 cadeiras de deputada estadual. A sua atuação ganhou tanta visibilidade que favoreceu o PT a ganhar duas cadeiras na Assembléia Legislativa, que foram ocupadas pelos deputados Paulo Fernando dos Santos e Paulo Nunes (este último não conseguiu se reeleger) e foi também a primeira senadora alagoana e do PT. O partido, antes de Heloísa, não tinha visibilidade e disputava mandatos para marcar posição. Hoje, Heloísa Helena é considerada uma das lideranças do Congresso. Ganhou tanto prestígio que recente pesquisa a apontou com chances de se eleger até em outras grandes cidades brasileiras. Porém, a senadora sabe que precisa ganhar a simpatia do seu próprio partido. Ela tem feito críticas fortes e acusa a direção nacional de adotar estratégicas políticas e econômicas idênticas a do presidente Fernando Henrique Cardoso. Essas críticas são rebatidas de maneira feroz pelos diretórios nacional e local. O presidente do diretório estadual, deputado Paulo Fernando dos Santos, Paulão, que lidera a maior corrente partidária (Articulação, Unidade na Luta) e Heloísa tem divergências fortes. Para complicar a situação, Paulão é outro candidato natural. Tem ainda o vereador Judson Cabral que substituiu Heloísa quando ela desistiu de ser candidata à governadora na eleição passada. Hoje, Judson quer apoio do partido para sustentar a sua candidatura a prefeito de Maceió.

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