Política
Dilma Rousseff quer ajuda de governadores contra crise
A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem, na abertura de reunião com governadores de todos os estados, que a redução da inflação é a condição para um novo ciclo de expansão da economia. Ela defendeu as medidas adotadas pelo governo para controle de gastos e alertou que projetos em tramitação no Congresso vão gerar mais despesas, se aprovados, e podem afetar os estados. Os governadores saíram frustrados da reunião. Esperavam obter liberação de recursos para aliviar os problemas de seus estados, mas acabaram ouvindo o apelo para dividir com ela o peso da própria crise política e econômica. Como instrumento para conter a inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou na última terça-feira a taxa de juros básicos da economia de 13,75% para 14,25% ao ano. Foi a sétima elevação consecutiva da taxa, que atingiu o maior patamar desde julho de 2006, quando estava em 14,75% ao ano. ?O primeiro passo para esse ciclo [de expansão] é justamente garantir o controle da inflação, porque a inflação corrói tanto a renda dos trabalhadores como o lucro das empresas. E promover o reequilíbrio fiscal, a estabilidade fiscal. (...) Essa redução da inflação vai criar as bases para um novo ciclo de expansão sustentável do crédito?, afirmou a presidente, sentada à ponta de uma mesa retangular, no Palácio da Alvorada, com governadores e ministros. ?PAUTAS-BOMBA? Dilma pediu ajuda dos governadores contra propostas em tramitação no Congresso que, segundo ela, afetarão o governo federal e também os estados, as chamadas ?pautas-bomba?. ?A estabilidade fiscal do País é muito importante e a estabilidade econômica também. E é uma responsabilidade de todos os poderes da federação. A União tem de arcar com a responsabilidade, liderar esse processo e assumir os seus, todos os seus, todas as suas necessidades e condições. E, ao mesmo tempo, nós consideramos que, como algumas medidas afetam os estados e, portanto, afetam o país, os governadores também têm de ter clareza do que está em questão?, afirmou a presidente.