Política
Collor destaca legado trabalhista para os humildes
Em homenagem à memória do presidente Getúlio Vargas, que se suicidou há 61 anos, o Senado Federal realizou, na tarde de ontem, uma sessão solene. Entre os oradores, o senador Fernando Collor (PTB) fez um discurso emocionado, destacando o compromisso de Vargas em favor dos mais humildes. ?Líder político e fundador do Partido Trabalhista Brasileiro - cujos quadros tenho a honra de compor -, permita-me concentrar na conquista dos direitos sociais dos trabalhadores urbanos. Trata-se do bem maior que Getúlio nos legou?. O líder do PTB aproveitou seu pronunciamento para associar a histórica trajetória do presidente morto aos tempos de dificuldade vividos na atualidade pela classe trabalhadora. ?Quando a flexibilização dos direitos trabalhistas ressurge como panaceia para a inserção do Brasil no cenário internacional, o sacrifício de Getúlio nos mantém unidos. Porque ele nos lembra, pelo exemplo de seu desprendimento, que não há nação sem desenvolvimento, que não há desenvolvimento sem trabalho, e que não há trabalho sem justiça social?. ?Não falemos aqui das conquistas no campo econômico. Não citemos o investimento em infraestrutura?, prosseguiu o senador do PTB. ?Esqueçamos, por um momento, a Companhia Vale do Rio Doce, a Companhia Nacional de Álcalis, a Fábrica Nacional de Motores, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco, a Companhia Siderúrgica Nacional, a Eletrobrás, a Petrobras. Também não falemos da defesa da soberania nacional e da modernização do Estado brasileiro. Não celebremos a OAB, a reforma educacional, o Departamento de Correios e Telégrafos, o IBGE, o BNDES?, disse, em alusão à era getulista. Collor realçou entre tantos atos de Getúlio a consagração da dignidade do trabalhador. ?Falo da jornada diária de trabalho de 8 horas. Falo do salário mínimo e da carteira de trabalho. Do direito a férias anuais e ao descanso semanal remunerado. Do direito à previdência social. Da proteção ao menor, à maternidade e ao trabalho da mulher. Falo da regulamentação da higiene e da segurança no ambiente de trabalho. Do aviso prévio e das indenizações devidas ao trabalhador dispensado sem justa causa. Do direito à sindicalização. Da Justiça do Trabalho?. Ainda relembrando as grandes conquistas trabalhistas introduzidas por Getúlio, o senador Collor voltou a fazer paralelo com o atual quadro brasileiro. ?Não são poucos os que hoje se insurgem contra as garantias reunidas na Consolidação das Leis Trabalhistas, a CLT. Acreditam que a desregulamentação, a precarização, o aviltamento dos direitos sociais dos trabalhadores é condição necessária para alavancar a competitividade do Brasil no mercado internacional?.