Política
Gays e religiosos se desentendem durante audi�ncia
A audiência pública realizada ontem, na Câmara Municipal de Maceió, para discutir, mais uma vez, o Plano Municipal de Educação (PME), transformou a Praça Deodoro e o plenário da Câmara de Vereadores em espaços onde a diversidade de opiniões se confrontaram, num verdadeiro campo de batalha em que cartazes e palavras de ordem eram as armas para expressar opiniões contra e a favor de conteúdos relativos à diversidade sexual na escola. Do lado de fora, numa tenda armada na Praça, grupos religiosos se concentraram em oração contra a chamada ?ideologia de gênero?, enquanto movimentos sociais ligados às minorias e ao movimento LGBTT panfletavam a defesa de ter assegurado no texto as garantias de respeito à diversidade sexual, centro da polêmica que envolve o plano. Entre padres e freiras, educadores e estudantes, gays, lésbicas e transsexuais, vereadores se envolviam em discussões às vezes acirradas. Em alguns momentos o clima ficou tenso. Na entrada da Câmara, o presidente da Comissão de Educação do Legislativo, vereador Guilherme Soares (PROS), foi abordado por uma ?defensora da família tradicional?, condenando a suposta presença da ?ideologia de gênero? no texto do plano. ?Isso não existe minha senhora. As pessoas precisam ler, conhecer, avaliar para se posicionar. Esse termo não está no projeto em discussão?, disse ele, retirando-se visivelmente irritado. No plenário, as manifestações mais acirradas também levaram o presidente da Casa, vereador Kelmann Vieira (PMDB), a ameaçar suspender a sessão. A audiência pública foi mais uma etapa preparatória para a votação do Plano Municipal de Educação, que deve entrar em pauta na próxima semana, no Legislativo.