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ALE: Lessa tem maioria, mas perfil pol�tico � conservador

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MARCOS RODRIGUES A Assembléia Legislativa terá, a partir das 15 horas de hoje, a eleição de uma nova mesa diretora. A indicação do presidente Celso Luiz (PL) foi anunciada após as eleições, em outubro, e sacramentada nos últimos dias. Entre os 27 deputados que assumem o cargo, dez são novatos: Cícero Almeida (PDT); Marcos Barbosa e Dudu Albuquerque, do PT do B; Zé Pedro da Aravel (PSDB); Nelito Gomes de Barros (PFL); Maria José Viana e Alves Correia, do PSB; Cabo Luiz Pedro (PRP); Gilberto Gonçalves (PMN) e Adalberto Cavalcante (Prona). Em Brasília, assumem os senadores Renan Calheiros (PMDB) e Téo Vilela (PSDB), ambos reeleitos. Entre os deputados federais, estão em primeiro mandato: João Lyra e Benedito de Lira, ambos do PTB; Maurício Quintella (PSB) e Rogério Teófilo (PFL). Os reeleitos foram Givaldo Carimbão (PSB); Helenildo Ribeiro (PSDB); João Caldas (PL); José Thomaz Nonô (PFL) e Olavo Calheiros (PMDB). A posse na Câmara Federal acontece no mesmo horário da posse na Assembléia Legislativa. Celso foi reeleito no agreste e sertão, e é peça-chave do governo. Ele herdará uma Assembléia em dificuldades, com contas em atraso, gabinetes sem estrutura, fornecedores sem pagamento, telefones cortados e folhas de pessoal em atraso, o que, segundo a atual mesa, se deveu a problemas financeiros enfrentados no último ano. Durante o período em que presidiu a Assembléia, o deputado Antônio Albuquerque (PTB) mudou de partido e assumiu uma postura de ?independência?, o que lhe deu força para negociar cargos no governo. Depois, rompeu e foi oposição no pleito que reelegeu Ronaldo Lessa (PSB). A eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproximou o PTB do campo de alianças estratégicas que Lula precisa no congresso. As aproximações com o palácio já começaram. Entre as negociações, Albuquerque conseguiu da prefeita Kátia Born (PSB) garantir a indicação do vice-presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA). O indicado foi o prefeito de Pão de Açúcar, Jorge Dantas (PSDB). Para o prefeito, o poder concedido pelo Palácio ao deputado Albuquerque não representa um retorno do PTB e do grupo que foi oposição ao atual governo. Dantas acredita que o entendimento para a disputa fortaleceu os prefeitos. ?Não tem haver com reaproximação com o palácio, mas sim com entendimento. É uma mediação para fortalecer a relação dos prefeitos com o governo?, explicou o prefeito, no dia da eleição na AMA. Ele integra a base de 21 prefeitos que apóia o deputado. Inalterado A renovação da Assembléia foi de pouco mais de 30%. Mas o perfil da maioria dos eleitos continua conservador. Dos 27 deputados, apenas um ficou de fora da aliança governista, mas não por falta de convite. ?Não acredito em mudanças por conta da ausência de compromisso com a transparência. Só acredito em mudança que proponha revelar o número de funcionários da Casa. Transparência com o dinheiro público, com a instalação do sistema Siafem. Enquanto não existir transparência, não haverá mudança. Não vejo a mudança que a sociedade quer?, acredita o petista. O deputado Marcos Ferreira (PSB) também defende o Sistema Integrado de Administração Financeira de Estados e Municípios (Siafem), como forma de controlar gastos com o dinheiro público. Assim como o deputado petista, ele acredita que a informatização da Assembléia representaria melhores condições de trabalho e transparência. ?Os gabinetes precisam ser estruturados com computadores?. O deputado espera atuar na Comissão do Orçamento. Ele disse, ainda, que solicitará uma senha para ter acesso ao sistema da Secretaria da Fazenda. Se conseguir, o deputado acessará os números da chamada caixa-preta da Assembléia. Segundo o deputado do PT, em 1999 o coronel Longo, então secretário da Fazenda, disse em plenário que não existiam débitos de repasses de duodécimo (décima parte da arrecadação bruta do Estado) para a ALE. As declarações do secretário não foram contestadas, a época, por nenhum deputado. Finanças na ALE é um tabu. Todo mundo sabe que tem, mas não se fala onde. Nem parece que são recursos públicos. Servidores Os servidores estão em estado de mobilização. Durante a semana articularam, inclusive, protesto para a solenidade de posse e eleição da mesa diretora. Mas mesmo com quatro folhas e meia em atraso o protesto tende ao fracasso. O motivo é a relação de comprometimento dos funcionários da Casa. A maioria conseguiu o emprego com a ajuda dos deputados, sem concurso. Na nova legislatura, a comunicação terá um outro tratamento. Tanto o deputado Paulão quanto Marcos Ferrreira concordam com uma maior transparência das informações através da mídia. O deputado garantiu que o assunto seria tratado no último encontro, ocorrido ontem, em Ipioca. O vidro de contenção da imprensa ao plenário, apelidado de ?aquário?, poderá ser até retirado como prova de aproximação da mesa com os profissionais. Para conseguir uma ?situação de paz? com o Legislativo, o Palácio não mediu esforços. A moeda: os cargos. Até o PTB está na fila para ser contemplado. Não estão descartadas convocações de parlamentares para secretarias como forma de atender ao suplente. Um dos beneficiados pode ser o ex-petista padre Eraldo, que está de volta ao PSB. O deputado Marcos Barbosa (PT do B) é um dos cogitados para ocupar uma secretaria. Mas não são apenas secretarias executivas que atraem a fidelidade das bancadas na ALE. Os cargos de segundo e terceiro escalões são ocupados por correligionários, importantes nas campanhas. O ?consenso? tem sido conquistado com ajuda, inclusive, da nova estrutura celular. Como ela desmembrou o poder de um secretário em dois cargos, mas com o mesmo status, é com um deles que os assuntos são discutidos.

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