Política
Deputados tomam posse com protesto de servidores da ALE
ARNALDO FERREIRA/MARCOS RODRIGUES Sem a presença do governador Ronaldo Lessa (PSB) e de representantes oficiais do Executivo e do Judiciário, e com manifestação de servidores do poder legislativo, que usavam uma tarja preta no ombro, simbolizando luto, e com faixas cobrando o pagamento de 4,8 folhas de salários atrasados, quinqüenios e férias, aconteceu ontem à tarde a posse dos 27 deputados estaduais de Alagoas. A Polícia Militar até que tentou conter a manifestação, porém o presidente do Sindicato dos Servidores, Aroldo Loureiro, reagiu e ficou segurando uma das faixas do protesto. Logo após a posse, o deputado Antônio Albuquerque (PTB) cumpriu o seu último ato como presidente da Assembléia: presidiu a eleição da nova Mesa Diretora, formada por uma chapa de consenso. Com 26 votos a favor e um voto em branco, do deputado Paulo Fernando dos Santos ? Paulão (PT), o deputado Celso Luiz (PL) foi eleito novo presidente para os próximos dois anos. A nova Mesa Diretora está formada com os deputados Francisco Tenório (PPS), como vice- presidente; Gilberto Gonçalves (PMN) é o segundo vice- presidente; o cabo Luiz Pedro (PRP) é o terceiro vice-presidente. O cargo mais cobiçado, a primeira secretaria da mesa (que controla o orçamento milionário de R$ 6,3 milhões por mês), ficou com o deputado Arthur Lira (PTB), que já exerceu o posto na gestão da deputada Ziane Costa (PTB), em 1999. A segunda secretaria, que cuida da pasta administrativa, ficou com o deputado Cícero Ferro (PTB). A quarta secretaria está com um dos novatos no Legislativo estadual, deputado Cícero Almeida (PDT), e a quarta secretaria ficou com Zé Pedro da Aravel (PSDB), que também estréia como parlamentar daquele poder. Os deputados Gilvan Barros (PTB) e Marcos Ferreira (PSB) foram eleitos, respectivamente, primeiro e segundo suplentes da quarta secretaria. A composição confirma a força da base dos 18 deputados governistas fiéis a Lessa. A nova mesa diretora é absolutamente governista, e a articulação aconteceu num confinamento que envolveu 25 dos 27 deputados. Eles ficaram hospedados no hotel da Natureza, no povoado de Ipióca, litoral norte de Maceió. Antônio Albuquerque, quando se despedia do cargo de presidente da ALE para assumir a cadeira deputado, disse em seu discurso que não reconhecia a manifestação como de servidores do Poder. O novo presidente da Assembléia Legislativa e o novo líder do governo, deputado Sérgio Toledo (PSB), disseram que os primeiros atos da nova mesa serão: promover uma reunião na terça-feira para iniciar um levantamento geral da situação administrativa e financeira. O segundo momento, será buscar ajuda do governo para regularizar o pagamento de folhas atrasadas dos servidores. Celso Luiz conversou com os servidores e pediu uma trégua até o mês de março. Ele não sabia, até ontem, que todos os telefones da Casa estão cortados e a Ceal também pode suspender o fornecimento de energia, por falta de pagamento. No campo político, Celso reafirmou os projetos de alianças. ?Vamos estreitar as nossas alianças políticas com o governador Ronaldo Lessa e com o Judiciário?. Celso assume a ALE sem oposição MARCOS RODRIGUES A Assembléia Legislativa só volta a se reunir no dia 15 de fevereiro. Até lá, o deputado Celso Luiz (PL) já terá clareza sobre os problemas que enfrentará entre os parlamentares. Isso porque com o calor da reeleição do governador Ronaldo Lessa (PSB) e da eleição da mesa diretora os deputados se articularam apenas para a conquista de cargos na mesa diretora e na estrutura de governo. Os resultados dos acordos políticos firmados entre o palácio e o parlamento só poderão ser percebidos após seis meses. É assim que o deputado Marcos Ferreira (PSB) encara a nova legislatura. ?É preciso esperar para ver o comportamento dos novos deputados, principalmente, após a negociação dos cargos?, explica. As negociações do governo envolvem todas as legendas da ALE. À exceção do PT, do deputado Paulo Fernando dos Santos, os demais partidos, ?nanicos? ou não, tentam encaixar aliados nos cargos da estrutura funcional do Estado. Confiança Como o contexto da eleição da mesa diretora acontece no melhor momento do governo, em termos de espaço político, Celso Luiz tem demonstrado confiança. Segundo deputados mais ligados ao novo presidente, ele espera administrar todas as crises e viabilizar o mandato do governador Ronaldo Lessa. Mas o próprio Celso sabe como funcionam as negociações. Para garantir o AL/Detran em seu grupo de apoio, foi necessário pressionar o governo. Caso não pudesse mais indicar a direção do órgão, ele sairia da disputa para a mesa diretora. As próximas disputas que terá de administrar envolvem as indicações dos nomes para as comissões da ALE. As principais são a de Constituição e Justiça e a de Fiscalização e Controle. O governo sabe o quanto elas podem se transformar num problema, por isso, pretende acompanhar todas as discussões de perto. O líder do governo será o deputado Sérgio Toledo (PSB). Ele acredita que o grupo dos 18, que decidiu pela escolha da mesa diretora está consciente de seu papel para o desenvolvimento do Estado. ?O grupo tem consciência de que é importante marchar em apoio ao desenvolvimento do Estado. Não acredito em grandes dificuldades?, declarou. Sobre os parlamentares que se apresentam como independentes, Toledo acredita que eles votarão em projetos que beneficiem o Estado. ?O atual quadro é de união e parceria. Não existe nenhum deputado querendo tumultuar. Há um clima de coerência e paz?. Se o governo realmente conseguir encaixar todos os partidos e os deputados ?independentes?, não existirão barreiras para aprovação dos projetos. Com cargos no governo para os correligionários será difícil sustentar o discurso de independência.