Política
Governador busca unanimidade pol�tica / Parte II
Nó do Legislativo Na Assembléia Legislativa, o ex-presidente da CCJ, deputado Antônio Albuquerque, com seu grupo, venceu sem dificuldade a eleição da mesa diretora, em 2000. Aproveitou a aproximação política com o governo e estabeleceu outras ?parcerias?: o governo supria algumas das necessidades da ALE e em troca tinha apoio para aprovar todos os projetos. Na Assembléia, Albuquerque administrou com mão de ferro e de forma conservadora. Manteve a área administrativa do poder hermeticamente fechada. Nem mesmo os deputados, como Paulo Fernando dos Santos (presidente do PT), sabem como e onde a mesa diretora aplicou o orçamento milionário de R$ 6,3 milhões mensais. Até hoje, o poder não se inseriu no Sistema Administrativo e Financeiro Siafem - para Estados e municípios. Para furar este cerco, o governador ?ajudou? parte dos conservadores na campanha de reeleição. Assim, ganhou a confiança da maioria dos parlamentares do grupo dos 14, a tal ponto que reduziu o grupo de oito deputados e aumentou a sua bancada para 18 parlamentares. Hoje, Ronaldo é tão forte no Legislativo que emplacou o deputado Celso Luiz (PL) como novo presidente da Assembléia. O deputado Celso Luiz também é discreto e habilidoso nos bastidores políticos. É apontado como o grande responsável pela primeira eleição da dobradinha Ronaldo Lessa e da senadora Heloísa Helena (PT). Politicamente, hoje, o governador tem o apoio escancarado do dos três grupos de 27 parlamentares. Aliança com a AMA Outro antigo foco de resistência ao governo estadual era a Associação dos Municípios Alagoanos - AMA. O ex-presidente da entidade, prefeito Jorge Dantas (PSDB), formou o grupo de oposição, trabalhou para derrotar o governador no processo eleitoral. Perdeu. Enfraquecido, Dantas teve de entregar a AMA para a prefeita de Feliz Deserto, Rosiana Beltrão (PMDB), cabo eleitoral do primeiro time do governador e teve um papel fundamental na região do Baixo São Francisco e parte do Agreste. Rosiana venceu a eleição da AMA depois de uma composição na qual Jorge Dantas ficou como vice. Os senadores Renan Calheiros (PMDB) e Teotônio Vilela (PSDB)- também atraídos por Ronaldo Lessa durante a campanha eleitoral- ajudaram na composição e na vitória de Rosiana. Corte de contas O Tribunal de Contas, outro obstáculo dos governos, se transformou em outra base de Lessa. O novo presidente, Edval Gaia, mantém um bom relacionamento com o Executivo e entre os sete conselheiros do TC está Otávio Lessa - irmão do governador e Corregedor da Corte. Otávio Lessa observa que hoje há uma interesse comum dos poderes, que é ajudar o governo a reduzir os indicadores negativos e a promover o desenvolvimento com justiça social. ?Tudo é feito com transparência e respeito ao dinheiro público?, garante. Harmonia com MP Para melhorar o relacionamento com o Ministério Público, Lessa acatou sem discussão a eleição da Procuradoria Geral de Justiça que elegeu o procurador Dilmar Camerino para o segundo mandato. Ele podia optar por uma lista tríplice. Porém, Ronaldo Lessa reconheceu de imediato a vitória de Dilmar e destacou que houve uma disputa democrática. Alagoas vive um novo momento. Este segundo mandato é outro governo. Agora, que temos a união, apoio da bancada federal, dos poderes, teremos condição de transformar, de construir e de desenvolver?, acredita Ronaldo Lessa. Projeto de mudança O presidente do PSB alagoano, médico Jurandir Bóia, explicou que o mérito desta engenharia política é do povo, que desde o primeiro momento fechou uma aliança com um projeto novo de administrar e fazer política. ?Ao eleger um socialista para governar o Estado, que era tradicionalmente conservador, os alagoanos exigiram mudanças e Ronaldo Lessa encarnou este desejo?. Ao lembrar os primeiros confrontos com o Judiciário, na gestão do desembargador Orlando Manso, Bóia disse que o enfrentamento não era pessoal. ?O que se queria era que o Judiciário entendesse o novo momento político e administrativo de um Estado que precisa mudar radicalmente seu estilo. O mesmo aconteceu com o Poder Legislativo. Felizmente, os poderes entenderam que Ronaldo Lessa catalisava o desejo de transformação política almejado pelos alagoanos. Hoje, são parceiros sem perder a independência?, ressaltou Jurandir Bóia, assegurando que apesar dos problemas o País reconhece que vivemos um novo momento. O secretário-geral do PSB, Wellison Miranda, uma espécie de soldado da tropa de choque de Ronaldo para cumprir a função do ?bateu-levou?, ao assistir à manifestação dos servidores de serviços prestados da Saúde, à porta do palácio do governo, na última terça-feira, reconheceu: ?O governo conseguiu compor com as forças antagônicas. Mas não avançou na aliança com os servidores. Foram eles que nos elegeram e a gente precisaria estar mais próximo deles?, admitiu ao ouvir as críticas dos sindicalistas Francisco Lima e Benedito Alexandre, que acusaram o governo de não cumprir acordos com os servidores da Saúde do chamado serviço prestado. Wellison disse que faz parte da engenharia a aproximação maior com a classe trabalhadora, dos servidores. ?O governo tem valorizado o serviço público. O projeto de reforma administrativa dá uma nova dinâmica e o sucesso da reforma depende, também, de um corpo funcional integrado com este espírito de transformação?. Quanto aos partidos de oposição, o secretário de Articulação Política do PSB considera que faz parte da democracia. ?Mas, existe um dado altamente positivo, existe a crítica, ela é salutar, mas todos trabalham para construir uma nova Alagoas, onde haja mais justiça social?.