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Governador busca unanimidade pol�tica / Parte I

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ARNALDO FERREIRA A engenharia político-administrativa do governador Ronaldo Lessa (PSB) está a um passo de conseguir o que muitos políticos sonharam: a unanimidade. O último que perseguiu a unanimidade foi o ex-governador Divaldo Suruagy (PSD). Ele encerra a carreira numa cadeira de deputado federal suplente e praticamente esquecido dos eleitores e dos políticos. Hoje fazem parte da base do governo Lessa alguns ex-aliados de Suruagy. Porém, o governador, neste segundo mandato, demonstra mais astúcia, caminha com habilidade nos bastidores, busca aliança com ex-adversários, partidos políticos, fecha alianças com os poderes e acomoda mais de 20 partidos na administração estadual, com o argumento de garantir a governabilidade, dentro de um audacioso projeto de reforma administrativa, que só o tempo dirá se vai ou não funcionar. Os únicos obstáculos do projeto coalizão geral hoje são: a ala mais radical do PT, da senadora Heloísa Helena, o PSTU, a oposição dos partidos de centro-direita e o movimento dos servidores públicos, que cobram aumentos salariais e a regularização sem traumas dos servidores comissionados. Para evitar confrontos frontais com os servidores e os Poderes, Ronaldo criou uma espécie de supersecretarias. Mas o movimento sindical percebeu a manobra contida na reforma administrativa e avisa que não conversa com interlocutores que não resolvem nada. Guerra dos Poderes A busca da unanimidade e de aliança com os poderes começou a ser idealizada nos dois primeiros anos do primeiro governo de Ronaldo Lessa. Foram momentos difíceis. Nada funcionava. A máquina estava emperrada, o funcionalismo desestimulado, greves, uma crise que o governo classificava de ?herança das forças do atraso?. A relação com os poderes Legislativo e Judiciário era de tensão grave. O Poder Legislativo, por exemplo, liderado pelo grupo dos 14 deputados conservadores que tinha à frente o presidente da então poderosa comissão de Constituição, Justiça e Redação Final (CCJR) deputado Antônio Albuquerque, praticamente amarrou o governo. Os parlamentares se aproveitaram da falta de habilidade administrativa do primeiro escalão de Lessa e brecaram os primeiros projetos de mudança. O nó estava tão apertado que a primeira a cair foi a então secretária de Saúde, Amália Amorim - hoje presidenta do Laboratório Farmacêutico de Alagoas (Lifal). Por intermédio de notas fiscais apresentadas pela CPI do Leite e Óleo da Assembléia, Amália fora acusada de superfaturar a compra de mantimentos para as vítimas da seca e passou a encarnar a contradição do discurso do governador, que prega até hoje a moralidade no serviço público. Impeachment de Lessa O grupo dos 14 chegou ensaiar o impeachment do governador. O senador Renan Calheiros (PMDB), naquela ocasião era da oposição, mas considerou o projeto como um ?golpe?. A situação só melhorou depois que o governo cedeu três secretarias e dezenas de cargos para o grupo do deputado Albuquerque. O Poder Judiciário também não dava trégua ao governo. O então presidente da suprema corte judiciária, desembargador Orlando Cavalcante Manso, jogou pesado para melhorar a situação orçamentária do seu poder. Com o apoio das urnas, Lessa resolveu peitar a corte, lembrou o deputado federal Givaldo Carimbão (PSB). O nível do bate-boca na imprensa entre Manso e Ronaldo foi baixo, atingia a honra e a dignidade. A briga durou dois anos. Apoio Judiciário O primeiro passo na busca da unanimidade foi com a finalidade de melhorar o relacionamento com o judiciário. Discretamente, Ronaldo começou a se aproximar de alguns desembargadores. Apoiou incondicionalmente o novo presidente do Tribunal de Justiça (TJ), o desembargador José Fernando Lima Souza, que tomou posse em 2001. Fernando Tourinho- como é mais conhecido o presidente do TJ-tratou de resguardar a corte, estabelecendo nova relação com o Executivo, que aumentou o duodécimo de R$ 6 milhões para R$ 8,1 milhões. Tourinho se aproximou, também, do Legislativo e fez valer o texto constitucional que fala da harmonia entre os poderes sem ferir a independência de cada um. Dois anos depois, o Judiciário aumentou o orçamento em mais de 100%, pulou de R$ 70 milhões/ano para R$ 140 milhões, como é o orçamento deste ano, incluindo o Funjuris. O presidente do TJ se aproximou tanto do Executivo que durante a campanha eleitoral assumiu cinco vezes o governo do Estado e facilitou a vida do governador. ?O desembargador Fernando Tourinho entra para a história como a autoridade que deu agilidade ao Judiciário, realizou concursos públicos com seriedade, promoveu a harmonia entre os poderes e teve uma posição importante na fase eleitoral, fez prevalecer o direito e a justiça?, costuma dizer Ronaldo Lessa. No dia 14 de fevereiro, o sucessor de Tourinho, o desembargador Geraldo Silvei Tenório, assumirá a presidência do Tribunal. Mais discreto, deve manter este entrosamento com os poderes.

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