Política
Estrat�gia do Brasil deve ser revisada, diz Collor
Com uma política de comércio internacional focada na América do Sul e no BRICS, o Brasil ficou de fora do 2º maior acordo comercial fechado nos últimos anos e que envolveu Estados Unidos, Japão e outras 10 economias da bacia do Pacífico, um tratado conhecido como ?Parceria Transpacífico? (TTP). Diante da real possibilidade de isolamento do Brasil, o senador Fernando Collor (PTB) defendeu, ontem, em discurso no Senado Federal, que a estratégia da política de comércio internacional do país seja revisada, ?reinserindo-se de forma realista na discussão, pois, o cenário de enormes espaços comerciais é irreversível?. Collor alertou que a TTP deixará o Brasil à margem do principal foco de dinamismo da economia mundial, isolando também os parceiros mais próximos do Mercosul. O senador destacou também que a participação do País no Mercado Comum do Sul coloca travas à negociação individual de acordos de livre comércio e, com isso, as tratativas do bloco com a União Europeia ainda ?não chegaram a bom termo?. Pelo texto formulado, a TTP impõe normas amplas e profundas que regerão as relações entre seus participantes, mas que, pela dimensão e importância dos países-membros, deverão ser seguidas em escala global. ?Torna-se imprescindível que o Brasil reformule o quanto antes sua estratégia no comércio internacional e prepare-se para uma necessária reinserção de forma realista, pois, o cenário de enormes espaços comerciais é irreversível. Para tanto, a primeira providência passa necessariamente por rever as bases do próprio Mercosul. A opção brasileira por concentrar esforços comerciais na linha sul-sul não tem apresentado resultados importantes. Na América do Sul, parceiros como a Argentina e a Venezuela estão em profundas dificuldades econômicas, enquanto Paraguai, Uruguai e Bolívia não possuem mercados de dimensão que possa nos auxiliar?, frisou. Após a assinatura do acordo de parceria, Collor prevê um cenário pelo qual se vislumbra regras de comércio internacional a serem ditadas por acordos internacionais e não mais por organizações multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC). Assim, apontou o parlamentar, ?lamentavelmente a OMC correr o risco de, daqui em diante, enfraquecer-se progressivamente, como uma vítima do novo concerto mundial de megablocos comerciais?. Para o senador, entre os objetivos da parceria da TTP estão o de isolar a China em uma zona de influência regional, reafirmando a predominância das potências ocidentais.