Política
Campanha precisa orientar a popula��o
Para o sociólogo e cientista político Ranulfo Paranhos, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), não há dúvidas que se o sistema fosse o parlamentarismo, a crise política, com reflexos diretos na economia, já poderia ter se exaurido. Entretanto, se for para discutir o parlamentarismo, em sua avaliação seria necessária uma campanha maciça e ampla, para que o eleitor compreendesse que neste sistema ele não escolhe o primeiro ministro, mas sim o partido. ?Teria que existir um trabalho para que as pessoas entendessem que elas elegeriam quadros dos partidos, que tomariam essa decisão. Além de ter que haver também uma nova construção, onde os partidos tivessem uma identificação mais clara, já que hoje as pessoas votam em nomes, candidatos e não necessariamente por conta de seu partido?, observou Paranhos. Ele lembra que o trabalho de desconstrução de um sistema e construção do outro é importante, para que o eleitor vá desvinculando o voto e a eleição da escolha de ?um milagreiro ou um salvador da pátria?. Segundo o cientista político, o processo tem suas complexidades porque historicamente, desde Getúlio Vargas, passando pelos presidentes eleitos democraticamente - Fernando Collor, Fernando Henrique, Lula e a própria Dilma - o voto sempre ficou atrelado a ideia do ?gestor capaz de resolver tudo?.