Política
Endividamento de Alagoas cresce 153%
A disparada do preço do dólar e dos índices inflacionários levam os governadores ao desespero. A crise vivida pelo governo federal também tem reflexo extremamente negativo porque eleva a dívida dos Estados. No caso particular de Alagoas, a dívida cresceu 153%, confirmou o secretário da Fazenda George Santoro ao responder questões sobre os impactos da crise. Até o dia 31 de setembro passado, o saldo do Estado correspondia a pouco mais de R$ 11 bilhões, sendo que R$ 516 milhões correspondem a dívidas com precatórios, ou seja, requisições de pagamento expedido pelo Poder Judiciário a valores devidos pelo governo do Estado. Com relação ao impacto do aumento do dólar na dívida externa de Alagoas, o secretário da Fazenda explicou que a dívida externa em 31 de dezembro de 2014 representava US$ 457 milhões (R$ 1,190 bilhão). Até o dia 15 de setembro passado estava representando US$ 452 milhões (R$ 1,7 bilhão). Desta forma, continuou o secretário, o saldo devedor teve incremento de R$ 607 milhões entre 31 de dezembro do ano passado a 30 de setembro. Em 2015, Alagoas pagou US$ 14,9 milhões, totalizando R$ 52,5 milhões. A estimativa inicial para o desembolso até setembro de 2015 era de R$ 36,8 milhões com a taxa do dólar a R$ 2,423. O acréscimo decorrente da desvalorização cambial chegou a R$ 15,6 milhões. BRASIL AFORA Em outros estados a situação é pior que a de Alagoas. No Rio Grande do Sul, por exemplo, com inadimplência admitida, o endividamento se agravou com a recessão econômica sentida em todo o País. Devido ao impacto da crise na arrecadação tributária, outras dívidas estaduais ficaram mais próximas do teto legal de 200% da receita anual, superado desde a década passada pelo governo gaúcho. Na lista dos estados com o pior endividamento estão ainda Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo ? que historicamente tiveram mais acesso a crédito ? e Alagoas, cujas finanças ainda sentem o baque de acordos fechados pelo governo com usineiros nos anos 1980, que os isentarão de pagar impostos. Recentemente o governo de Alagoas editou um decreto cancelando outro do ano passado e obrigando o setor industrial da cana de açúcar a voltar a recolher tributos. Os usineiros devem perto de R$ 500 milhões (sem reajuste) em tributos.