Política
Amea�a de conflito entre sem-terra e fazendeiros
MARCOS RODRIGUES Tensão em Messias. Trabalhadores sem-terra, ligados à comissão Pastoral da Terra estão ameaçados judicialmente de ter suas lavouras destruídas a mando da Justiça. A polícia esteve no local, o que aumentou o clima de tensão. As famílias temem perder tudo que plantaram nos últimos quatro anos. Os trabalhadores prometem resistir para defender a área ocupada da Fazenda Flor do Bosque, que está com processo de desapropriação paralisado. Ontem, o problema foi parar no Palácio do Governo. O vice-presidente da Comissão Estadual de Direitos Humanos, Pedro Montenegro, se reuniu com o vice-governador Luiz Abílio (PSB) e representantes da PM para pedir a intervenção do Estado e evitar um conflito entre famílias sem-terra e representantes da Usina Bititinga, em Messias. Ao todo são 68 famílias, ou seja, pouco mais de 600 pessoas que estão dispostas a defender plantações de macaxeira, feijão e outras culturas de subsistência. O clima na área é tenso, desde a semana passada, quando a Justiça determinou a destruição das lavouras. Segundo Pedro Montenegro, a decisão judicial é o oposto do que defende o atual governo federal, que elegeu como prioridade o combate à fome. A reunião com o governo aconteceu a portas fechadas. Participaram do encontro representantes da PM e o padre Manoel Henrique. Abílio garantiu que tentará uma maneira de intervir na área. Famílias As 68 famílias, que se dividem em vários trechos da BR, estão acampadas, há quatro anos, fora da fazenda. Os conflitos são antigos na área. Até o arcebispo dom Edvaldo Amaral chegou a ser processado, por defender os trabalhadores e condenado a pagar R$ 5.000. Também foi processado o líder da CPT, Carlos Lima. Mas o principal incidente aconteceu com a trabalhadora rural Josiete da Silva, de 21 anos. Em agosto, durante um bloqueio da BR, ela foi atropelada por um caminhão. Em 2000, durante a marcha do ?Grito da Terra? o acampamento foi alvo de tiros disparados de um carro na pista. O líder da CPT, Carlos Lima, diz que o clima na área pode se agravar, pois as famílias se dispõem a resistir.?Esta é a maior área de tensão de todos os nossos acampamentos. Não abriremos mão da lavoura. No Estado tem gente passando fome, não aceitaremos a derrubada?, concluiu.