Política
Sanguinetti pode ser cassado por abuso de poder
MARCOS RODRIGUES O vereador George Sanguinetti (sem partido) pode perder o mandato por abuso de poder, que teria sido cometido contra a psicóloga Katiana Rêgo, funcionária da Secretaria Municipal de Assistência, no último dia 23 de janeiro. O incidente aconteceu num dos shoppings da cidade e mobilizou o secretário municipal de Assistência, Carlos Ronalsa, e o secretário de articulação política do governo, Welisson Miranda. No local, estava sendo feita a revisão de carteiras de acesso a coletivos para portadores de necessidades especiais. A revisão atingiu cerca de 11.800 usuários e provocou tumulto no dia dedicado aos retardatários. Segundo o secretário Carlos Ronalsa, o vereador chegou ao posto de atendimento e ameaçou prender a psicóloga por exercício ilegal da profissão. ?Ele falou com a funcionária e disse que ela não poderia emitir parecer sobre atestados médicos e determinou o fim dos trabalhos naquele dia e sua prisão em flagrante?, revelou. Ronalsa disse, ainda, que o vereador ?incitou a multidão?, dizendo que o atendimento estava suspenso. ?E quem não tivesse a carteira renovada poderia procurá-lo, pois a decisão não teria valor legal?, complementou. A psicóloga Katiana Rêgo confirmou a voz de prisão dada pelo vereador, acompanhado de dois seguranças armados. Ela disse que sua função no posto era verificar os códigos das doenças dos usuários. ?Não estava fazendo nada ilegal. Até porque minha habilitação me permite fazer avaliação psicológica?. Ela afirmou, ainda, que mesmo os que tiveram receitas rejeitadas poderiam pedir nova avaliação de uma junta médica. O secretário Carlos Ronalsa denunciou o episódio ao Ministério Público. Os promotores Hélder Jucá, Micheline Tenório e Ubirajara Ramos já ouviram o vereador Sanguinetti e o secretário. No dia 18, farão uma consulta ao Conselho Regional de Medicina. O secretário Carlos Ronalsa, suplente empossado como vereador, informou que pedirá à Câmara Municipal de Maceió abertura de processo na comissão de ética da Casa. Em dezembro último, os vereadores aprovaram o código de ética e Sanguinetti pode ser o primeiro processado. O vereador confirmou todas as denúncias aos promotores do MP. Sanguinetti diz que não vê ilegalidade em sua atuação. Afirma ter cumprido sua missão como vereador ao pedir a prisão da funcionária, como cidadão. ?Será que como vereador, ao ver um erro flagrante numa repartição municipal, não posso pedir explicações?? - indagou. O caso será um dos polêmicos na volta da Câmara as suas atividades, no dia 18 de fevereiro, quando termina o recesso parlamentar.