Política
Combater a desigualdade � o maior desafio de Macei�
Em que Maceió você vive? Enquanto um menino conversa com amigos pelo iPhone e desembolsa mais uma nota de cinquenta para saborear o Açaí com sanduíche light e brownie, na orla marítima, outro se joga embaixo da mesa do passaporte para se proteger do tiroteio entre grupos rivais do tráfico, na beira da lagoa. Da cobertura duplex ao fundo da grota, o abismo social que separa crianças e adolescentes da capital é do tamanho da indiferença, da ausência de políticas públicas ou da falta de vergonha. Os olhos do mundo estão voltados para esta cidade das diferenças por meio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Esta semana, representantes do órgão integrante da Organização das Nações Unidas (ONU) vêm a Maceió com a missão de avançar no combate a desigualdades que geram índices vexatórios. Um exemplo é o disparate de mais de 2.000% da renda média per capta de jovens dos bairros mais ricos para os mais pobres. Quando se trata da taxa de homicídios, o precipício avança em cerca de 500%. Uma enorme maioria, quase todos os assassinados são jovens, pobres e negros. A coordenadora regional do Unicef, Jane Santos, classifica o problema como um genocídio. E o pior: a cidade rica assiste essa catástrofe diária da cidade pobre com indiferença. ?Muitos ainda veem esses números impressionantes de mortes de adolescentes pobres como uma espécie de esterilização da sociedade, há um clima frio de indiferença?, acentua a chefe do escritório para Alagoas, Pernambuco e Paraíba. O desafio de reduzir estas desigualdades foi lançado pelo Unicef em novembro de 2013, com a implantação da Plataforma dos Centros Urbanos (PCU) na nossa capital. Nas próximas quarta e quinta, representantes de doze secretarias municipais, de conselhos tutelares, de universidades, parceiros técnicos e jovens da Rede de Adolescentes por uma Cidade Justa e Sustentável vão se encontrar com autoridades do Unicef para aferir e avaliar estes dois anos de atuação.