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quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
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Mundos diferentes numa mesma cidade

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A esperança é um caleidoscópio: se deixar parado não funciona. Quieto, encostado num canto, é mesmo que nada, um objeto qualquer visto de fora, com frieza. Precisa olhar por dentro para senti-los, caleidoscópio e esperança, mas não adianta ficar inerte, sem fazer nada. Além do ver tem o agir, fazer rodar e provocar as mudanças. Só assim ambos se revelam plenos. Por mais bonita que seja a face, se ela nunca muda, é chato, mero retrato de duas dimensões. A monotonia da desigualdade é cruel, sobretudo quando atinge crianças e adolescentes, num círculo vicioso. Diante do mapa do Brasil, o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) mirou e recolheu à pinça oito cidades consideradas críticas e essenciais para introduzir num ?tubo de transformação? chamado Plataforma dos Centros Urbanos (PCU). Dentre elas, Maceió, a única que não tem escritório regional do Unicef, não foi selecionada por acaso, e sim por Providência. A trajetória tenebrosa de anos a fio com os piores índices de homicídios, mortalidade neonatal e infantil, analfabetismo e de Desenvolvimento Humano (IDH) assustam a agência da Organização das Nações Unidas (ONU). ?Na imensidão desse País, a visão que temos de Maceió é bastante preocupante?, foca a representante adjunta do Unicef no Brasil, Esperanza Vives. A italiana, cuja esperança vive até no nome, veio esta semana à capital alagoana para participar do 1º Encontro dos Parceiros da PCU Maceió, realizado no Museu da Imagem e do Som de Alagoas (Misa), em Jaraguá. Lá, Esperanza sentou ao lado de dezenas de estudantes de escolas públicas para conhecer, avaliar e interpretar uma série de dados desagregados por territórios. A cada estatística apresentada, fica mais nítida a gigantesca diferença na vida de crianças e adolescentes que moram em bairros pobres ou ricos. O Unicef propõe um novo olhar sobre este bolo de problemas. Para tanto, não se pode observá-lo como um todo, sem fatiá-lo de acordo com as peculiaridades de cada região. O corte destas partes do bolo exige zelo, precisão cirúrgica e ferramentas adequadas. Deve-se trocar o machado e o serrote da matemática crua pelo bisturi ou mesmo laser da estatística com percepção de certas subjetividades. Por trás dos números, enxerga-se mundos bem diferentes na mesma cidade. Os fenômenos desvendados pela parceria entre Unicef, Prefeitura de Maceió e sociedade civil se baseiam em dez indicadores sociais. Todos foram dissecados, território por território, no encontro cujo slogan resume a missão da plataforma: ?Juntos pela redução das desigualdades intramunicipais que afetam crianças e adolescentes?.

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