Política
Jovens se engajam em projeto
A mesma jovem que fecha os olhos e puxa fumaça de crack, na lata de coca feita de cachimbo, pode abri-los e começar a olhar o mundo real por cima, sem a entorpecência da desigualdade. Ela tem 18 anos, alguns atos infracionais, um filho e uma medida socioeducativa para terminar de cumprir em regime de semiliberdade. Rosto belo, corpo em desabrocho, engravidou aos 14, ficou três anos fora da escola, o pai do filho a deixou, ela se drogou, ?meteu bronca?, foi levada para a Unidade de Internação Feminina e deu o bebê para a ex-sogra cuidar. Tudo muito rápido, muito intenso, uma avalanche de acontecimentos sobre a cabeça de uma menina sem muito juízo. Foi chamada para participar da Plataforma de Centros Urbanos do Unicef e se agarrou com força a uma das poucas oportunidades que recebeu. Resolveu mudar de vida e esta semana estava participando do evento no auditório do Misa, ao lado de representantes internacionais do Unicef, secretários municipais, educadores, assistentes sociais, conselheiros e representantes de órgãos parceiros da iniciativa. ?Antes eu não gostava de estudar, hoje eu estou aqui?, resume, com brilho nos olhos e sorriso no rosto. Sim, eles podem. A sensação de empoderamento transmitida aos 150 jovens espalhados em cinco regiões da PCU em Maceió é a chave para abrir as portas do futuro desta geração. Na mesa composta por autoridades para o painel de abertura do encontro, o discurso do adolescente Odilon Mateus foi o que mais emocionou e provocou comentários. ?No início, quando me chamaram, eu não entendia muito bem o que esse projeto traz para os jovens, mas depois comecei a perceber a importância daquela capacitação que eles fazem com a gente?. Aos poucos, palavra por palavra, aquele menino foi crescendo na fala e chamando a atenção dos participantes. ?Aquele que chega na plataforma é um jovem que não sabe falar em público, que vive num mundo em que não tem oportunidades, que não sabe os direitos dele. A partir do momento em que a gente vive as capacitações, isso fica bem nítido, a gente aprende que tem importância, que pode mudar, que pode ir à luta?.