Política
DISTOR��ES. Para especialista, viola��es dos direitos sociais levam jovens � viol�ncia
Os tambores da exclusão estrondam nos tímpanos de meninas infratoras que cumprem medidas socioeducativas. A virada do repique estala a batida do preconceito pra fora do coração. O futuro pulsa em sonhos, desejos, mas o presente corre nas veias, castiga na pele da liberdade perdida. Erros do passado batem na palma da mão e se transformam no toque do atabaque, no batuque dos tantãs. De punho cerrado para o crime, elas agarram firme a chance de uma vida nova. Seguram as baquetas da oportunidade e repercutem a esperança em sons tribais para os territórios de onde saíram. Gravidez na adolescência, evasão escolar, consumo de drogas, falta de acesso ao esporte, ao lazer, tráfico e homicídios formam o descompasso de quase todos os indicadores sociais. Como pandeiro furado, é um samba do crioulo doido na cabeça dessas garotas alojadas, entre paredes e grades da Unidade de Internação Feminina (UIF). A Plataforma dos Centros Urbanos (PCU) também chegou à Superintendência de Medidas Socioeducativas do Estado para subverter a lógica do órgão que ?tem o objetivo de acolher os menores em conflito com a Lei?. Todas as internas, de algum modo, participam dos indicadores negativos apontados pelo Unicef. O resultado dessas desigualdades em seus territórios culminaram com infrações à lei. Um dos quesitos que mais chamam a atenção é a distorção idade-série no ensino fundamental do município de Maceió. Dos 89,5 mil alunos matriculados em 2012, cerca de 41 mil tinham dois ou mais anos de atraso. Equivale a um índice de 46% de distorção, o dobro da média de 23% registrada nas oito capitais da PCU. Quando se observa o quartil de territórios com os piores índices, chega-se a 50%. Então, em média, a metade dos alunos de cada sala de aula está fora da idade aconselhada. Fica uma turma cheia de crianças e adolescentes mais velhos. Nas áreas mais ricas, o problema é bem menor, com 32,9% de distorção. De uma região para outra, é 1,5 vezes maior a proporção de alunos atrasados por repetência ou evasão escolar. A coordenadora nacional da PCU, Luciana Phebo, observa que, quando um direito é violado, geram-se outras violações de direito. ?Um dos motivos das meninas deixarem a escola é a gravidez. Ou, às vezes, a distorção idade-série é tão grande que ela fica desconectada com a turma de outra idade e termina saindo de vez da escola?.