Política
Meninas de bairros pobres engravidam mais
Dez anos é idade para brincar de boneca. Dezenove, de fazer faculdade. Nem uma coisa nem outra, para quem precisa trocar fraldas e dar de mamar. A quantidade de mães nessa faixa etária chega a 34,3% dos nascimentos em territórios com as piores taxas, bem acima dos 10,3% das áreas nobres. Quando deixa de olhar a cidade inteira como uma foto, a Plataforma dos Centros Urbanos (PCU) tem uma visão diferenciada da dinâmica de cada bairro. O índice geral de 23,7% em Maceió está bem acima dos 16% da média das capitais incluídas na PCU. Os dados segregados evidenciam os locais onde o problema requer mais atenção e ajuda a direcionar as políticas públicas e ações estratégicas. O levantamento, com dados de 2012, separou a cidade em quatro partes, dos piores para os melhores indicadores, definidos como quartis 1, 2, 3 e 4. No Quartil 1 (o mais crítico), houve o nascimento de 2.508 bebês vivos, sendo 861 com mães de 10 a 19 anos. Já no quartil 4, nasceram apenas 220 bebês de gravidez precoce, num total de 2.139. O risco gerado pela desigualdade fica ainda mais evidente quando cruzado com outros indicadores, como mortalidade neonatal, acompanhamento pré-natal irregular, evasão escolar, repetência, falta de creches e de escolas para educação infantil, mortes por causas externas e assassinatos de adolescentes. Isto sem contar os sub-registros e a falta de notificações de outros traumas como o alto índice de aborto e suas consequências para a saúde física, psicológica e espiritual de inúmeras garotas.