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Crise econ�mica vira ‘�libi’ perfeito de gestores p�blicos

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Crise foi, sem dúvidas, uma das palavras mais repetidas pelos brasileiros em 2015. A alta dos preços, o temor do desemprego e a retração de mercados causaram um clima de tensão e incertezas que deve perdurar este ano, segundo preveem especialistas. Se houve pontos positivos na derrocada econômica e política brasileira, para prefeitos e governadores o principal ganho foi a mudança de foco das críticas da população. A crise rapidamente se transformou no ?álibi? perfeito de Estados e municípios diante da opinião pública, que voltou todas as queixas para o governo federal. A queda da arrecadação tem implicado, de fato, na diminuição dos repasses de verbas de programas federais e dos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM). Os municípios, cujas receitas dependem majoritariamente desses repasses, foram os que mais sentiram o baque. Neste cenário, a culpa pelo atraso ou redução de ações e obras locais foi transferida para o governo federal. De outro lado, quem consegue administrar razoavelmente bem um estado ou cidade em meio a essas circunstâncias aproveita para destacar a façanha empreendida. Para o cientista político Ranulfo Paranhos, a crise da economia nacional acabou livrando os gestores locais de todo o País das críticas da opinião pública. ?O cenário nacional tem o desemprego se aproximando de 10%, que representa 1 milhão de desempregados formais, a inflação na casa dos dois dígitos e uma retração real na economia em torno de 3,5%. Então todo gestor público municipal ou estadual teve uma ?folga? da opinião pública porque foi um ano marcado pela quebra na economia do Brasil?, avalia o professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). ?A opinião pública direciona todo o seu foco não só para os governos locais, como acontecia nos anos anteriores, sobretudo em Alagoas, mas para o governo federal?, afirma. ?E, de maneira geral, toda política pública que deixou de ser implementada ou toda promessa de campanha que ainda não saiu do papel ficou na gaveta com a justificativa de que a economia do Brasil ia mal. A crise retira dos gestores o ônus da culpa, que fica para o governo federal?, analisa o especialista.

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