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Rui Palmeira aposta em obras de infraestrutura

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O ano é decisivo para o prefeito Rui Palmeira (PSBD), que tentará a reeleição ao cargo nas próximas eleições. O melhor ?cabo eleitoral? do tucano, sem dúvidas, são as obras de infraestrutura que ainda estão no papel à espera da liberação de dois empréstimos internacionais. Não à toa, essa é a meta de Palmeira no seu último ano de gestão: garantir os mais de US$ 160 milhões e dar o pontapé inicial nas obras de infraestrutura em vários bairros periféricos da capital. Em entrevista à Gazeta de Alagoas, o prefeito também falou sobre mudanças no secretariado e repercutiu a pesquisa que aponta mais de 64% de aprovação à gestão: ?Claro que popularidade é importante, mas o mais importante é a credibilidade. Se a gente tivesse focado apenas nisso, não teríamos tomado medidas que, a princípio, são impopulares, mas que são extremamente importantes para o futuro da cidade?. Gazeta. É seu último ano de gestão. Qual o foco e as metas da prefeitura este ano? Rui Palmeira. Eu diria que este ano nosso foco é conseguir colocar em prática a efetivação dos recursos dos empréstimos. Já recebemos o aval da União no final do ano [de 2015]. O empréstimo ficou um ano represado, não só o de Maceió, mas todos. Foram várias prefeituras e estados, mas, graças a Deus, conseguimos o aval e os bancos estão vindo a Maceió agora em janeiro. O BID vem dia 18, a CAF provavelmente no dia 25 de janeiro. Então nossa meta é conseguir iniciar as obras desse programa, que vai ser o maior programa de urbanização de Maceió. Na cotação do dólar de hoje, os US$ 164 milhões de dólares representam mais de R$ 500 milhões em obras de saneamento básico, mobilidade urbana e pavimentação em várias áreas da cidade. Eu diria que, dentre elas, a mais importante é a obra da orla lagunar, com a definitiva revitalização daquela área, que é um problema seriíssimo. A lagoa hoje só é bonita de longe para a maioria dos maceioenses. A gente tem a orla marítima e historicamente demos as costas à orla lagunar. Queremos devolver a lagoa à cidade, [com o projeto] ela passa a ser integrada. Então nosso sonho, nossa meta, é conseguir devolver aquele grande patrimônio à cidade, para que toda a população volte a frequentar, que seja uma área de lazer, turística e, claro, inserindo aquela comunidade que tem vários problemas sociais, de violência, tráfico de drogas. Enfim, mudando aquilo ali. É um projeto que não será feito em apenas um ano, vai levar tempo. Ele está sendo concebido com muito cuidado por questões sociais e ambientais. Os técnicos do BID já estiveram várias vezes aqui em Maceió e estão nos ajudando a fechar esse projeto. Então a alta do dólar está sendo positiva para quem está negociando empréstimos com bancos estrangeiros. O que se fará com o dinheiro extra que pode vir por conta do câmbio? Para isso, a alta é boa. Quando nós apresentamos a carta-consulta, o dólar devia estar a R$ 2,80. Hoje está em torno de R$ 4. Então o que vier de recursos a mais, a gente pode apresentar novos projetos ao banco. Por exemplo, o empréstimo do CAF, que financiará projetos de saneamento e pavimentação espalhados pela cidade, vai ter um ?gap?, uma sobra de recursos e a gente vai apresentar novos projetos para usar essa verba. Então teremos um investimento maior do que quando apresentamos o projeto. Nossa torcida é que o dólar se mantenha assim até a assinatura dos contratos (risos) e, no futuro, ele baixe. A expectativa é muito boa para esses empréstimos. Quais os próximos passos para conseguir o empréstimo? Provavelmente, o Sr. não terá tempo hábil para inaugurar muitas dessas obras... Acho que são projetos que a gente planta uma semente para colher frutos no futuro, porque não são de curto prazo, vai levar um tempo para ficarem prontos, como é o caso da orla lagunar. Mas eu sei que a cidade vai ganhar com isso, que é o mais importante. Os bancos vêm aqui este mês em missão oficial para assinatura de contrato. Eles vão visitar as áreas, ver mais alguns detalhes. A parte formal foi toda aprovada, então a tendência é eles levarem o contrato para as diretorias dos bancos aprovarem e assinarem, isso volta para a gente, nós assinamos o contrato e aí vai para o Tesouro Nacional e o Senado. Mas, em paralelo, a gente vai começar a licitar algumas obras. A ideia é que em fevereiro nós já licitemos, sobretudo as do empréstimo da CAF, e que o mais rápido possível comecemos algumas obras com a contrapartida do município. A crise econômica marcou 2015, continua este ano e a perspectiva de especialistas é que só melhore em 2017. Quais as estratégias da prefeitura, além dos empréstimos, para fazer um último ano de gestão marcante? O ano foi extremamente difícil do ponto de vista financeiro e 2016 mostra que vai continuar assim, já que a primeira parcela do FPM [Fundo de Participação dos Municípios] veio menor que a de janeiro do ano passado. A gente vai ter, obviamente, que fazer mais cortes no custeio das secretarias. Onde a gente puder cortar, teremos que cortar para conseguir manter os investimentos. Apesar de que, no ano passado, Maceió foi a 10ª cidade que mais perdeu receita entre os 50 maiores municípios do Brasil e nós conseguimos manter o nível de investimentos. E certamente com os empréstimos a gente vai elevar bastante esses investimentos. Para você ter uma ideia, os valores desses empréstimos são equivalentes ao investimento da cidade nos últimos 12 anos. Vamos lançar também o programa Nota Premiada Municipal, visando aumentar a receita do ISS [Imposto Sobre Serviços]. Em relação a recursos próprios, essas são as estratégias. Continuamos, também, com as Parcerias Público-Privadas para algumas obras na cidade. Neste ano de eleições municipais, há mudanças previstas no secretariado? A nossa ideia é mudar, já no final de fevereiro, os secretários que são pré-candidatos a vereador. Temos pelo menos quatro nessa situação e nossa ideia é antecipar a saída deles, sem esperar o prazo legal. São o Tácio Melo [Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito], David Maia [Secretaria Municipal de Meio Ambiente], Adriana Toledo [Secretária Executiva do Gabinete do Prefeito] e Ib Brêda [Superintendência Municipal de Iluminação Pública]. São essas, por enquanto, e devemos mudar no fim de fevereiro, no máximo. Nos primeiros anos do mandato, sua gestão recebeu muitas críticas que a classificavam como pouco atuante. Ao fim do terceiro ano, uma pesquisa o coloca como o segundo melhor prefeito, com 64,4% de aprovação. Como o Sr. recebeu esse resultado? Claro que fico feliz com o resultado da pesquisa, mas a popularidade é algo que vai e vem muitas vezes numa gestão. Eu acho que o mais importante é a credibilidade. Claro que popularidade é importante, mas se o gestor ficar somente focado nisso, muitas vezes ele não vai tomar medidas que, a princípio, são impopulares pensando somente em manter a alta popularidade. Se a gente tivesse focado nisso, Maceió hoje não teria a Faixa Azul, que recebeu muitas críticas no começo, não teríamos retirado a Favela de Jaraguá... Hoje a obra está acontecendo e queremos entregar o Centro Pesqueiro de Jaraguá, que é uma realização emblemática. Então acho que se ficar somente focado na popularidade, você vai deixar de tomar umas medidas que são importantes para o presente e, sobretudo, para o futuro da cidade.

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