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Especialista alerta que sert�o tem �reas que n�o podem ser irrigadas

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O ex-secretário estadual de Irrigação e Recursos Hídricos, Marcos Carnaúba, reconhece que a obra do Canal do Sertão é uma exigência antiga do sertanejo, que morre de sede em frente ao rio São Francisco. Porém, observa que é preciso ter muito cuidado com os projetos de irrigação. ?Nem todas as áreas do sertão podem ser irrigadas. Existem áreas com grande concentração de sal rente à superfície. A irrigação sem planejamento e estudos de impacto ambiental pode tornar a terra estéril e causar um grande desequilíbrio ecológico?, afirma. Carnaúba é um dos especialistas com estudos de variação climática e estiagem prolongada no sertão. Recentemente, revelou que este ano Alagoas deverá registrar densidade pluviométricas (chuvas) bem abaixo da média mínima esperada pelos agricultores da região do Alto Sertão. A construção do Canal do Sertão, dentro do projeto modular e com usos múltiplos, na avaliação de Carnaúba, deverá resolver o problema do abastecimento de água para o consumo humano e animal. Quanto à utilização para fins agrícolas, ele volta a observar a necessidade de estudos técnicos e de identificação da área própria para ser irrigada. ?Em todo o sertão e agreste existem pequenas manchas que podem ser irrigadas. Fora desta mancha é perigoso e comprometedor?, alertou o especialista, que faz parte da equipe técnica da Secretaria de Irrigação e Recursos Hídricos e já foi presidente do Instituto Estadual do Meio Ambiente. Com relação às previsões de chuvas para este ano, o engenheiro civil e pesquisador em variações climáticas na região semi-árida disse que existem 35% de chances de temperaturas elevadas no Alto e no Médio Sertão. Se essas previsões forem mantidas, Carnaúba avalia que as culturas de subsistências e tradicionais da região sertaneja podem ter safras comprometidas. No ano passado, Alagoas registrou quedas na produção de milho e feijão, que em 2001 registraram colheitas recordes. Criadores A seca também está comprometendo as criações de caprinos, ovinos e a produção de leite na Bacia Leiteira. ?Os animais estão resistindo bem às altas temperaturas. Porém, os pecuaristas enfrentam prejuízos com a queda na produção de leite, de carne e com as parasitoses que atacam os rebanhos nesses períodos de alta temperatura.? A falta de pastagem na região do Alto Sertão e o aumentos dos preços da ração e insumos também vêm dificultando a vida dos agropecuaristas, principalmente os pequenos. O governo federal terá de rever a política de apoio ao produtor e criar linhas especiais de atendimento para os pequenos. Enquanto, o Canal do Sertão não fica pronto, os criadores têm de alimentar seus rebanhos com água poluída dos açudes. ?Muitas famílias também consomem a água dos açudes?, alertou Carnaúba. (AF) .

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