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Canal do Sert�o j� consumiu R$ 44 milh�es

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ARNALDO FERREIRA Uma das obras mais importantes para minimizar a indústria da seca que a cada ano aumenta a situação de miséria, flagelado e exploração das famílias no Alto Sertão de Alagoas ? o Canal do Sertão ? não vai parar. A garantia é do governador Ronaldo Lessa (PSB). O projeto é milionário e já engoliu R$ 44 milhões do governo federal, além de contrapartidas do governo estadual. O engenheiro técnico ? responsável pela obra Denisson Tenório, da Secretaria Estadual de Infra-Estrutura, disse que os recursos do exercício de 2003 para a continuação do projeto estão assegurados. Isto assegura o ritmo da obra. ?Este é uma projeto estratégico. O governo e a bancada federal estão envolvidos para a conclusão da obra, que vai mudar a realidade sócio-econômica do sertão alagoano?, observou Denisson . Módulos A vantagem do Canal do Sertão é que ele foi projetado para ser uma obra modular. O governo pode ir construindo por etapa e dentro das condições orçamentárias. Os módulos que forem concluídos em pouco tempo se tornam auto sustentáveis. Nessa primeira etapa, o governo alagoano está construindo a tomada de água, uma estação elevatória num dos braços do São Francisco, que adentra no Canal do Moxotó, na altura da divisa entre Delmiro Gouveia (AL) e Paulo Afonso (BA), a 250 quilômetros de distância de Maceió. Neste ponto da estação elevatória será colocada a rede de adução que, por gravidade, vai levar água do São Francisco para os 12 quilômetros do ponto de distribuição para o canal propriamente dito. Depois de concluído o Canal do Sertão terá 220 quilômetros de extensão e vai ligar o município sertanejo de Delmiro Gouveia até Arapiraca, passando pelas áreas mais do Sertão e Agreste, disse Denisson Tenório. Recursos A primeira fase do projeto começou durante o governo Geraldo Bulhões (de 1991 a 1994). Inicialmente, os estudos de impacto ambiental, levantamento da área topográfica, identificação e outras observações técnicas consumiram recursos da ordem de R$ 2 milhões. A crise administrativa-financeira que abalou o terceiro governo de Divaldo Suruagy (PSD), que provocou inclusive o seu afastamento do Executivo, obrigou a paralisação do projeto, por falta de recursos. Em 2001, Ronaldo Lessa retomou a obra, refez estudos e iniciou a construção do braço da tomada de água e do reservatório. Nessa etapa, mais R$ 9 milhões foram aplicados. Basicamente, o dinheiro foi investido na superestrutura da construção da estação elevatória. Os recursos federais foram insuficiente. As pressões dos nove deputados e dos três senadores alagoanos garantiram, no ano passado, mais R$ 20 milhões. O montante fez parte da parte do Orçamento da União destinado a projetos estruturantes de grande porte. Ainda no final do ano passado, Alagoas recebeu, segundo Denisson Tenório, mais R$ 13 milhões do governo federal para o exercício de 2003. O montante vai garantir a conclusão da primeira etapa do projeto. Os recursos asseguraram a continuação da parte vital do projeto. Municípios As obras foram vistoriadas no ano passado pelos prefeitos, empresários, produtores, vereadores e representantes da comunidade sertaneja que formam o comitê pró-Canal do Sertão, liderado pelo prefeito Marcos David, do município de Santana do Ipanema. ?Não podemos deixar esta obra parar. Ela vai mudar a paisagem de seca, vai gerar novas oportunidades de trabalho e será um basta para a indústria da seca?, disse Marcos David quando visitou o canteiro de obra junto com o governador Ronaldo Lessa. O Canal do Sertão está sob a responsabilidade da construtora OAS. Mas a execução dos serviços é acompanhada de perto pelos técnicos da secretaria de Infra-Estrutura, liderados por Denisson Tenório. A previsão é de que em setembro entre em operação o primeiro módulo de usos múltiplos do canal. Durante a última visita ao canteiro de obras Lessa explicou que o canal vai irrigar as manchas do semi-árido que tem condições de absorver projetos de irrigação. Servirá para atender as populações com água tratada e beneficiará os animais da região com água de boa qualidade. ?Ainda não vamos acabar com a indústria da seca, mas estamos dando um passo forte nesta direção?, disse o governador. As primeiras manchas agricultáveis que vão ser beneficiadas pelo Canal do Sertão ficam nas áreas mais secas, entre os municípios de Delmiro Gouveia, Inhapí e Canapí, no Alto Sertão de Alagoas, distante 300 quilômetros de Maceió. Ainda este ano algumas áreas da região vão experimentar o cultivo de lavouras irrigadas, garantiu o governador.

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