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MST est� dividido e sem dire��o em Alagoas

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MARCOS RODRIGUES O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra está em crise. A direção nacional decidiu afastar do Estado, Reginaldo Pacheco e Marcos Antônio da Silva, o Marrom, e indicar José Roberto, transferido de Sergipe. Oficialmente eles foram afastados desde no novembro. Para continuarem ligados ao movimento foi sugerida a transferência para Pernambuco e Sergipe, respectivamente. Depois de divergirem na condução das ações cada um estava dirigindo o movimento a seu modo. Marrom nas ações de rua e Pacheco nas negociações de gabinete. Ele, inclusive, se filiou ao PSB, partido do governador Ronaldo Lessa. Segundo o deputado Paulo Fernando dos Santos (PT), em 99, ele teve atuação decisiva na periferia em favor da então candidata, Kátia Born (PSB). ?Na época ele trabalhou ativamente na campanha da prefeita?, relembrou o deputado. Para Marrom, não existem razões para a sua saída. Ele disse que não irá para Sergipe e ficará no Estado como militante da base do movimento. ?Não irei porque já passei por lá, Tocantins e Rio Grande do Norte?, explicou. Ele confirmou as divergências internas. Elas aconteceram por inexperiência dos novos militantes. ?Algumas pessoas passaram a discordar dos nossos métodos para prevalecer interesses pessoais?, acrescentou, sem citar nomes. O MST atua no Estado desde 1984. Até hoje já somam 8 mil famílias assentadas e mais 5 mil em acampamentos espalhados no Sertão, Agreste e Litoral Norte. Hoje, em boa parte dos acampamentos, o clima é de violência. A presença de armas e o consumo de álcool têm sido a causa de mortes entre os próprios sem terra. Tensão As áreas consideradas mais tensas estão nos municípios de Atalaia, Flexeiras e Maragogi, onde está o maior número de famílias assentadas. A presença de armas foi confirmada por Marco Antônio. Ele acredita que isso acontece devido a origem dos trabalhadores que sempre foram oprimidos pelos fazendeiros. Mas a violência é um sinal do afastamento do MST de sua causa central que é, segundo o estatuto, a luta pela reforma agrária.+++ Movimento perde espaço político e cria dissidências A disputa pela terra e por espaços de direção quebrou a hegemonia do MST na luta pela terra. Da dissidência do movimento surgiu o MT (Movimento dos Trabalhadores) e MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra). Além deles atua também no Estado a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Juntas, estas correntes do movimento agrário reúnem cerca de 12.000 famílias em mais de 60 acampamentos. Em nível de Nordeste o movimento em Alagoas é considerado um dos mais importantes. O MT chegou ao Estado pelo Litoral Norte, divisa com Pernambuco, onde nasceu. Na Mata Sul Pernambucana, eles começaram ocupando terras da massa falida da usina Central Barreiros. O MLST também é uma dissidência do MST. O movimento tem apenas dois anos de existência, mas também está na disputa por visibilidade. A CPT é o movimento que tem mais ligações com a igreja católica. Foi fundado pelos padres progressistas e simpatizantes da ?Teoria da Libertação?. Nos três anos em que dirigiu o MST em Alagoas, Marrom revela que a regional formada pelos Estados de Pernambuco e Sergipe foi uma das que mais se desenvolveu. Ele acredita que a crise do MST já está contornada. Mas o movimento fechou sua sede na capital e foi para Arapiraca. Lá não possui nenhuma forma de contato porque o telefone está cortado. Aproveitando o espaço deixado pelo MST, as outras correntes vêm ampliando a atuação. Este ano, o MT e a CPT devem intensificar suas ações na Zona da Mata e Litoral Norte, onde existem grandes extensões de terras consideradas improdutivas. (MR) +++ Mesmo em crise, ações do MST continuarão O ex-dirigente do MST Marco Antônio da Silva, o Marrom disse que as ações do movimento continuarão no Estado, mesmo durante a trégua que a Direção Nacional, prometeu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O primeiro passo aconteceu na terça (4), em Olho D?água do Casado, onde 600 integrantes do movimento interditaram a AL 220, que liga Maceió a Delmiro Gouveia, e mantiveram como refém o secretário de Agricultura, Reinaldo Falcão. A ação do MST ganhou repercussão nacional. Os trabalhadores, além de interditarem a pista, saquearam dois caminhões: de manga e queijo. Mesmo com a crise, os trabalhadores continuarão mobilizados no Estado. A informação não é oficial, mas segundo Marrom é uma tendência. Segundo ele, no Incra os processos estão emperrados. ?Desde a saída de Ricardo Vitório (ex-superintendente) que os processos vêm se emperrando?, adiantou Marrom. Como a nomeação para o órgão só deverá acontecer no fim do mês, até lá o MST pode voltar as ações. O responsável pelas negociações dos cargos federais no Estado, que incluem o Incra, é deputado Paulo Fernando dos Santos (PT). Ele revelou que o partido no Estado já tem um indicado para o órgão. Trata-se do engenheiro agrônomo Mário Agra. Na semana passada, o deputado esteve em Brasília para saber detalhes do processo de indicação. ?O Mário é o nome do partido e com certeza estabelecerá linhas de diálogo com os trabalhadores?, disse. Para Marrom, se confirmado o nome de Mário Agra, as relações com o MST serão intensificadas. ?O Mário é um nome conhecido do movimento e tem formação profissional e política?, acrescentou. A indicação de Mário Agra está emperrada juntamente com outras 40 no Estado. Os encontros com os partidos aliados para as indicações não avançaram, mas Paulão garante que até o fim do mês o assunto estará resolvido. (MR)

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