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Casal quebrou e governo estuda a sua privatiza��o

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ARNALDO FERREIRA Uma das estatais mais importantes de Alagoas, a Companhia de Saneamento e Abastecimento d?Água do Estado de Alagoas (Casal), está quebrada. Faliu. Sobrevive sustentada pelo governo estadual. O patrimônio já está totalmente penhorado para pagar dívidas trabalhistas. A empresa pode faturar até R$ 7,5 a oito milhões de reais por mês. Mas, só consegue arrecadar R$ 6 milhões, forçando a barra. O déficit, a cada ano, chega a R$ 50 milhões. Hoje a Casal está afogada numa imensa crise administrativa e financeira. O governador Ronaldo Lessa (PSB) pensa em privatizá- la para se livrar do rombo. Porém, vai fazer mais uma tentativa. Está estimulando um amplo e profundo ajuste fiscal. Este projeto começou na última sexta-feira. Os servidores passaram a estudar formas de sobrevivência da empresa e de garantir os próprios empregos. Sem saber como vai recuperar a empresa, Ronaldo Lessa joga as últimas fichas na capacidade dos servidores. Ele deu o prazo de um ano para a empresa recuperar sua saúde financeira. Do contrário, não tem jeito, vai se livrar da Casal. Numa entrevista exclusiva à GAZETA DE ALAGOAS, o presidente da autarquia, Aluizio Ferreira confessou: ?A empresa vive uma situação muito dificil?. Ajuste Desde sexta- feira, 35 servidores com cargos de direção na Casal estão reunidos no Hotel Matsubara. Eles tentam descobrir o que é a própria empresa, onde alguns trabalham há mais de 20 anos. Depois de várias administrações desastrosas, só agora percebeu-se a necessidade de fazer o ajuste fiscal para promover a recuperação financeira, motivar o funcionalismo e fazer o que nunca, efetivamente, aconteceu: o planejamento estratégico. Os 35 servidores têm a função de irradiar um clima de salvação, motivar os colegas e melhorar os serviços prestados. A Casal tem um corpo funcional com 1.400 servidores. A maioria com mais de 10 anos na empresa e, o pior, boa parte deles não conhece o potencial da empresa, que deveria garantir o abastecimento razoável de água nos 102 municípios e promover o saneamento básico em todo o Estado. Os dois itens da prestação de serviço são considerados como precários. Só para se ter uma idéia, em Maceió, só 40% da cidade tem abastecimento regular com água potável da Casal. O saneamento é considerado como uma lástima. Por trás do Palácio do Governo do Estado, o esgoto corre rente ao meio- fio. Faturamento Em números redondos, a Casal tem 300 mil consumidores. Cerca de 70% na Grande Maceió, que inclui municípios vizinhos. A capacidade de faturamento da empresa é da ordem de R$ 7,5 milhões a R$ 8 milhões/mês. Mas, como toda autarquia que enfrenta o emperramento burocrático e a lentidão operacional, a Casal também está com os canos enferrujados, quer dizer, não é eficiente nem na hora de arrecadar. A empresa só consegue arrecadar, no sufoco, R$ 6 milhões. A defasagem entre o arrecadado e o faturado é da ordem de 20% a 25%, isso de acordo com as informações oficiais. Mas, na prática, o percentual é muito maior. O déficit mensal varia entre R$ 1 a 1,5 milhão. A cada ano, a empresa acumula déficit superior a R$ 50 milhões, admitem os técnicos financeiros e o presidente da companhia. Dívidas O passivo da empresa hoje chega a cifra astronômica, que varia de R$ 400 a 500 milhões. A empresa carece, ainda, de uma auditoria profunda e um forte trabalho de restruturação técnica, administrativa e financeira. Em seguida, terá de promover uma reciclagem geral. Há mais de 10 anos, a empresa trabalha no vermelho, registra déficit gigantesco e, por conseqüência, não faz investimentos. ?Nosso maior desafio é exatamente zerar o déficit da arrecadação, para que a gente possa voltar a crescer, investir e melhorar o atendimento aos nossos usuários?, reconheceu o presidente da companhia. A situação chegou a tal ponto que o montante do déficit supera todo o patrimônio. A GAZETA obteve informações de que todo o patrimônio da Casal está comprometido e a única coisa que existe, de fato, e intacta é o nome: ?Casal?. Este dado foi confirmado também por Aluízio Ferreira. ?Todo o patrimônio da Casal está penhorado para pagamento de dívidas trabalhistas, credores e outros problemas que fazem a empresa viver um momento crítico, que compromete sua sobrevivência?. Privatização Nos bastidores do mercado financeiro e da própria empresa, mediante servidores de setores estratégicos que pedem para manter seus nomes sob reserva, a GAZETA soube que os indicativos dão conta de que a Casal estaria a ponto de ser liquidada ou privatizada pelo governo estadual. Sobre isto, Aluízio Ferreira garante: ?Não há nenhuma intenção do governador Ronaldo Lessa em promover a privatização. Ele nos disse que a Casal é uma empresa pública e que, como tal, tem condições de prestar um bom serviço aos alagoanos. Este é o nosso desafio neste momento: buscar a recuperação da empresa?. Aluízio acredita que pode dar um novo gerenciamento, a exemplo o que aconteceu recentemente com as empresas do ramo de outros estados, que estavam em situação mais difícil. Ele admitiu que a Casal está falida. Quebrou. ?A empresa tem a sustentabilidade patrocinada pelo governo estadual. Se nada for feito logo vai chegar a um ponto em que o governo terá de tomar uma decisão. Hoje a intenção do governo é encontrar uma saída para garantir o equilíbrio?. As empresas que atravessaram situação semelhante a da Casal e conseguiram sair do vermelho foram a Sabesp, (São Paulo), que tinha um déficit de R$ 400 milhões e depois do ajuste passou a dar um lucro da ordem de R$ 600 milhões. A Companhia de Abastecimento de Água da Paraíba saiu da situação falimentar e hoje é superavitária. Em Alagoas, o governo espera em um ano a recuperação operacional, para garantir o equilíbrio entre receita e despesas. Paralelamente, a empresa tentará fazer a renogociação das dívidas com o INSS e outras fiscais. O presidente da Casal está esperando que saia a autorização federal para o Refinanciamento da Dívida Fiscal (Refis II) para renegociar as dívidas a longa prazo. Isto acontecendo, a empresa ganhará fôlego e passa a ser adimplente junto aos credores federais. O projeto está tramitando no Congresso Nacional, mas ainda não há a data de sua votação. A dívida fiscal da Casal hoje é da ordem de R$ 200 milhões. ?Se a gente passar para a situação de adiplente, poderemos receber novos financiamentos, recursos a fundo perdido e outros incentivos do governo federal e de outras instituições. Por causa da nossa situação, hoje estamos impedidos de receber o socorro providencial?, admitiu o presidente da Casal.

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