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PSTU ataca governos de Lula e Lessa

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ARNALDO FERREIRA Depois de uma participação pífia nas eleições presidenciais e estaduais, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU) de Alagoas está de volta. Agora, promete ser um calo no calcanhar do PT e PSB. Para começar, acusa os governos do presidente Lula (PT) e de Ronaldo Lessa (PSB) de terem perdido as suas entidades de esquerda e se transformado ?em novos governos burgueses. Somos oposição a Lula e a Ronaldo Lessa?, disse o presidente do partido, advogado Ricardo Barbosa. Barbosa, na eleição passada, participou como candidato a governador e obteve apenas 1.600 votos. Além de criticar PT e PSB, a direção estadual do PSTU, estrategicamente, quer atrair os insatisfeitos dos dois partidos. Diante da crise de relacionamento entre a senadora Heloísa Helena e os diretórios nacional e alagoano, os trabalhadores unificados investem para ser um porto seguro para Heloísa. Apesar de seu partido estar aberto à senadora, reconhece que não há como convidá-la efetivamente. ?O que existe é uma confluência de discurso ideológico. A aproximação do partido e da senadora deve acontecer como ocorreu com outros companheiros do PT que hoje estão filiados ao PSTU?, disse sem revelar nomes. Barbosa observou que as críticas que a senadora faz ao próprio partido (PT) coincide com o alerta que o PSTU fez na campanha presidencial. ?Lula para chegar ao poder se aliou à direita. Ele faz políticas com a burguesia. Tanto que foi buscar um representante dos banqueiros internacionais, o tucano Henrique Meirelles, para ser o presidente do Banco Central?. Acrescentou que até Lula mudou o discurso. ?O candidato antes era contra a autonomia do Banco Central, depois de eleito passou a ser a favor, como defendem os banqueiros e o Fundo Monetário Internacional (FMI)?. Na análise sobre a composição e o projeto de coalizão do governo Lula, o presidente do PSTU repetiu as críticas da senadora ao afirmar que durante a campanha eleitoral o Partido dos Trabalhadores vendeu ilusões para os brasileiros. ?O PT pregou o desenvolvimento da Agricultura, depois de eleito nomeou para o Ministério da Agricultura, Roberto Rodrigues, um ministro latifundiário. O vice-presidente da Fiesp, Luiz Fernando Furlan, é ministro do Desenvolvimento. Portanto, Heloísa reflete a situação incômoda que vive dentro do PT?. Barbosa considerou que o PT perdeu a identidade quando fez aliança com o PL, PMDB, PTB, PDT, PPS, com setores do PSDB e outros partidos burgueses. Criticou, ainda, o programa Fome Zero, a menina dos olhos de Lula. ?O governo sabe de onde vai tirar R$ 100 milhões para pagar os banqueiros internacionais, já o projeto Fome Zero ninguém sabe onde vai conseguir R$ 5 milhões?. Reforma de Lessa Na onda de críticas aos governos conservadores, o PSTU também não poupou o governo Ronaldo Lessa. Criticou a reforma administrativa, classificando-a de ?uma pérola administrativa?. Ricardo Barbosa disse que a reforma tem o objetivo de ?acomodar 22 partidos políticos da base do governador, criar uma legião de empregos comissionados, sustentar a figura do secretário tampão e catalizar os interesses da classe empresarial numa suposta estratégia de coalizão?. Para ele, a Reforma Administrativa não mostra como o segundo governo de Ronaldo pretende reduzir indicadores que colocam Alagoas como campeão dos índices de mortalidade infantil, analfabetismo, desemprego, miséria e fome. ?O governo precisa dizer com clareza como pretende mudar o quadro de líder de pior Índice de Desenvolvimento Humano- IDH?. O presidente do PSTU considera que a reforma administrativa é marcada por várias contradições?. A pior dela é que, ao contrário dos outros Estados, em Alagoas onera ainda mais a folha de pagamento?, frisou, citando recentes declarações do governador Ronaldo Lessa. ?Somos oposição ao governo Lula e ao de Ronaldo porque eles mantêm modelos burgueses e projetos políticos pessoais. O povo quer mudanças e não reformas iguais às de FHC?, ressaltou. Crise no PT A senadora Heloísa Helena não quer discutir o seu futuro político através da imprensa. Porém, o secretário de Assuntos Institucionais do PT alagoano, jornalista Adelmo dos Santos, sintetizou, neste fim de semana, o pensamento da alta cúpula petista: ?Quem não estiver satisfeito com os projetos de alianças, com a administração do governo Lula, não precisa ficar no partido. Pode sair?. O recado é para os dissidentes, dentre eles, Heloísa Helena O presidente do PT, deputado Paulo Fernando dos Santos-Paulão, rebateu as críticas com questionamento: ?Qual a representação do PSTU no Senado, na Câmara Federal, nas Assembléia Legislativa, nos governos estaduais e nas prefeituras? O Partido da Causa Operária na campanha chamou o PSTU de partido burgês?. Paulão lembrou, ainda, que ?Lula é um fugitivo da seca do Nordeste e um trabalhador. No PSTU existem muitos que não sabem o que é passar necessidade. Por isso, não aceitamos as críticas?. ?Partido atrasado? Já o deputado Givaldo Carimbão, do diretório estadual do PSB, considerou que o PSTU parou no tempo. ?Há 10 anos havia datilógrafo, hoje é digitador; antes havia disco de vinil, hoje é CD. O PSTU está fora da realidade. Graças a Deus Lula foi eleito e reflete o sentimento de paz do nosso povo?. Sobre as composições com PMDB, PSDB e os outros 20 partidos, disse o deputado que ?as alianças de Lessa são feitas de forma transparente e algumas antes da campanha eleitoral?.

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