Política
Nanicos afirmam que Lessa quer ser presidente
ARNALDO FERREIRA A reengenharia política do governador Ronaldo Lessa (PSB) que muda radicalmente o modelo administrativo do executivo estadual tem, entre outros objetivos, saltos mais altos dentro da política. Lessa acomoda 22 partidos em sua base de apoio para assegurar a tranqüilidade no seu projeto de ser candidato a senador, em 2004, e algo mais ambicioso, que seria lutar para ser um dos nomes do PSB para disputar a presidência da República. A estratégia política do governador foi revelada pelo presidente de um dos partidos nanicos: Gerson Guarines, presidente do Partido dos Aposentados Nacionais - PAN. Guarines decidiu abrir o jogo depois que ouviu, no Palácio Floriano Peixoto, o próprio governador dizer para mais de 300 pessoas, na última terça- feira, que ?os partidos pequenos são instrumento de comércio eleitoral?. Na ocasião, o governador insistiu na tese de fusão dos 12 partidos nanicos que vivem atrás de cargos na sua administração e assegurou que não havia mais espaços significativos para os nanicos. Desprestigiados, os presidentes dos partidos pequenos que ficaram fora do rateio dos cargos, resolveram abrir a boca e jogaram as críticas no ventilador. A nova sugestão de fusão dos partidos pequenos, foram feitas por Lessa, durante a posse dos secretários extraordinários Ariosvaldo Cippola Júnior (Ari Cippola ? ex-correspondente da Folha de São Paulo e Consultor do Sebrae); de Paschoal Savastano, que foi remanejado da Secretaria de Articulação Política, que no mesmo dia passou a ser ocupada por Daniel Bernardes, que deixou a secretaria das Regiões Metropolitanas. ?O Ari Cippola foi contratado como secretário apenas para trabalhar a imagem do governador que quer aparecer como uma liderança nacional. O desejo dele é ser presidente da República?, detonou Gerson Guarines, revoltado. Na mesma onda da revolta por ter perdido cargos de destaque no poder estavam o presidente do PTdoB, Marcos Toledo; o presidente do PMN, pastor e radialista Ildo Rafael; e o presidente do PRP, José Djalma. O discurso de Lessa apoiando a tese nacional de extinção dos pequenos partidos políticos foi ouvido pela maioria dos presidentes dos 12 partidos nanicos. ?Ficamos todos constrangidos com o tom da declaração do governador, que usou inclusive termos depreciativos?, disse Ildo Rafael. ?No discurso, o governador ainda tentou contornar a sua tese dizendo que se referia às negociatas que os pequenos partidos faziam em Brasília. Mas, era tarde demais. Todos nós fomos atingidos em cheio?, admitiu. Outro que teve coragem de manifestar o seu descontentamento foi José Djalma. ?Enquanto os grandes partidos e os ditos de esquerda só se aproximam do governador para ganhar secretarias e cargos importantes, mas quando chegam o período eleitoral os grandes se afastam, nós não: desde 1992 vamos às ruas e brigamos por Ronaldo Lessa. Eu mesmo já fui chamado de candidato laranja?, disse José Djalma, ao recordar da campanha de prefeito, em 92, quando também fora candidato. A maioria dos partidos pequenos cobrou respeito e mostrou que conseguirá eleger prefeitos, vereadores e deputados. Também não negaram que continuam esperando cargos no governo, em nome da reciprocidade política. ?Se nós ajudamos a eleger o governador é justo que a gente almeje espaço no poder?, disseram José Guarines e José Djalma.