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Olho D’�gua Grande: uma cidade sob press�o

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ROBERTO VILANOVA Olho D?Água Grande ? A enfermeira Ana Luiza foi cobrar seis meses de salários atrasados e levou uma surra, no meio da rua; o fazendeiro Milton Gomes da Silva votou na oposição e foi ameaçado; das 19 professoras concursadas do município, apenas quatro têm coragem de denunciar os abusos. Assim é Olho D?Água Grande, município a 170 quilômetros de Maceió, um dos três únicos sem acesso asfáltico e onde a lei é peça de ficção. O vereador Ednaldo Farias dos Santos (PTB), conhecido como Nau e ex-presidente da Câmara, cansou de pedir providências; mas não desiste. Com o apoio das professoras, ele é uma espécie de voz de consolo para os que são perseguidos e denuncia que a administração municipal é, na verdade, cabide de empregos. ?A secretária de Educação, a secretária de Saúde, o tesoureiro, o secretário de Transporte são todos parentes, filhos e nora do prefeito?, denunciou, depois de contar que existem quinze parentes do prefeito empregados na Prefeitura. Ameaças O novo presidente a Câmara, Antônio Esperidião (PTB), embora engrosse o bloco de oposição ao prefeito ? são nove vereadores, quatro da situação ? diz que a população teme fazer as denúncias. ?Tem pessoas que me procuram e depois desistem. Por exemplo: um funcionário denunciou que a esposa não recebeu o décimo terceiro salário. Depois, veio me dizer que deixasse para lá porque poderia ser pior se houvesse represálias e a esposa fosse transferida para uma região distante?, contou o vereador, acrescentando que essa tem sido a praxe no município ? quem reclama é transferido para longe da cidade. Até mesmo a enfermeira, agredida em público já não quer mais falar sobre a agressão. Outra denúncia, desta vez das professoras, é sobre a merenda escolar do município, que dura apenas uma semana e se resume à fubá de milho e salame. ?Muitos alunos trazem de casa açúcar e alguma coisa para fazer suco. Quem pode. Quem não pode, fica sem a merenda?, denunciaram as professoras. Há atrasos de salários ? só os professores receberam o 13º salário ? e apesar de o município possuir três ambulâncias, não há médico. ?Quando nós denunciamos a falta de médico, o prefeito foi às rádios, em Arapiraca, e anunciou que estava contratando médicos. De fato, contratou, mas os profissionais passaram dois meses e foram embora porque o município não cumpriu com as promessas de pagamento e condições de trabalho. Agora chegou um médico, mas a gente não vai se surpreender se não demorar muito na cidade?, disse o vereador Nau, ex-presidente da Câmara. Com 6 mil habitantes e 3,3 mil eleitores, Olho D?Água Grande é um dos menores municípios do Estado, com indicadores sociais abaixo da média nacional e muitos problemas para resolver. ?Se for feita uma auditoria no município serão descobertas muitas irregularidades, como os dois ônibus adquiridos pela prefeitura em nome de terceiros, mas, na verdade, pertencentes a familiares do prefeito e locados à prefeitura numa operação aparentemente legal. Mas apenas aparentemente, porque há todo tipo de ilegalidade?, acrescentou. Ministério Público Até mesmo o Ministério Público já foi acionado, mas nenhuma providência foi tomada. A comissão de professores que foi à casa do vereador Nau se queixar das irregularidades disse que a secretária do promotor, em São Brás, praticamente inviabilizou as denúncias. ?Ela perguntou quantos professores tinha o município e nós dissemos que eram oitenta. Ao invés de anotar nossas denúncias, ela disse: como é que o município tem oitenta professores e só vocês vêm aqui reclamar, referindo-se a nós quatro. Não sabe que são apenas dezenove concursados e, mesmo assim, a maioria tem medo de denunciar as irregularidades. Imagine quem não é. Esses, ficam calados, sofrem calados e se não fosse nosso movimento, com o apoio do Sindicato (Sinteal), não receberiam sequer o que têm direito?, disseram as professoras. Elas denunciaram, também, que muita gente recebe irregularmente como professor, mas não dá aula.

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