Política
Crise deve afetar disputa no interior
Imaginem uma prefeitura no longínquo Alto Sertão alagoano, mergulhada em dificuldades de toda ordem, principalmente financeira. Contas a pagar, saúde pública e educação que não funcionam, credores batendo à porta do gestor em busca de receber por serviços muitas vezes prestados há anos e nunca pagos. Quem numa situação como essa ariscaria passar nem na porta da prefeitura, imagine candidatar-se ao cargo de chefe do Executivo municipal? Muitos. Sim, não são poucos os que estão dispostos a brigar com unhas e dentes para se eleger prefeito de municípios considerados ?falidos?. Cidades cuja população não passa de dois mil habitantes, mas que o interesse em comandá-las salta aos olhos de quem não abre mão de forma alguma do poder, é capaz de gastar rios de dinheiro para se eleger. É assim em toda eleição e nesta a queda de braço pelo comando das prefeituras deve se repetir, embora gestores e os caciques da política assegurem que não. A crise econômica nacional, bradada como um dos fatores que dificultam uma boa gestão e usada como argumento para atraso no pagamento de folha salarial e outros compromissos, é colocada agora como um possível diferencial entre o próximo processo eleitoral e os pleitos passados. Para quem tem a experiência na política, a crise deve afastar candidatos fortes, que venceriam seguramente a disputa, mas com medo de não conseguirem cumprir seus compromissos, e acabarem na ?malha fina? da política, tendem a desistir para não saírem do cargo público com a pecha de ?ficha suja?. Quem acredita que o poder está acima de tudo, pensa diferente. A Gazeta de Alagoas foi em busca de respostas para o que atrai tanto a cobiça pelo comando das prefeituras. Ou, como acreditam alguns, que este ano será um divisor de águas, com a desistência de candidatos.