Política
Justi�a Eleitoral quer conter doa��es com malas pretas
As eleições municipais deste ano, além da disputa entre os candidatos, marcará uma nova fase no processo de captação de recursos por parte dos candidatos e partidos. O processo também esconde o desafio da fiscalização da ocorrência de ?caixa 2?, uso da máquina em favor de candidatos à reeleição ou respectivos aliados. Em todo o Estado, 76% dos prefeitos podem ser candidatos à reeleição. Mesmo parecendo complexo, ou praticamente fácil de ser burlado, os principais personagens envolvidos na organização do pleito acreditam que os últimos acontecimentos que desencadearam a crise política, junto com o acompanhamento por parte do cidadão, podem contribuir para a lisura do processo. Para o juiz federal André Granja, que também é vice-presidente da Região Nordeste da Associação dos Juizes Federais, os candidatos precisam saber que ao longo dos anos foram desenvolvidas técnicas de fiscalização que podem sim identificar quem desrespeita a legislação. Com a experiência de quem integrou a corte eleitoral, nos últimos três anos, ele vê com bons olhos a legislação apontar para a necessidade de envolvimento do cidadão, por meio de doações, em detrimento das empresas. Lembra que isso, inclusive, é algo comum nos Estados Unidos. ?No sistema norte-americano há um envolvimento maior das pessoas físicas. No Brasil, nas última eleições presidenciais, eram pouco mais de 60 doadores e praticamente todos pessoas jurídicas. Enquanto nos EUA há milhões de doadores pessoas físicas. É um sistema diferente. Essa é uma perspectiva que por aqui amadureça e se espelhe no regime americano?, projetou Granja. Ele alerta que as doações ocultas, com doações e movimentações não declaradas que criam o ?caixa 2?, não voltem a acontecer.