Política
Corte tira R$ 34,5 milh�es do Fome Zero
Brasília ? Apesar da promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que programas sociais do governo seriam mantidos, o corte no Orçamento geral da união não poupou nenhuma área da administração federal. Foram cortados gastos dos ministérios da área social, inclusive do Programa Fome Zero, considerado prioridade absoluta no primeiro ano do atual governo. O gabinete do Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e de Combate à Fome, responsável pelo Fome Zero, perdeu cerca de R$ 34,5 milhões ? o equivalente a cerca de 690 mil cartões de R$ 50 mensais cada. O orçamento anterior previa recursos de R$ 1,756 bilhão. Segunda-feira, após a reunião ministerial na Granja do Torto, o porta-voz da presidência reafirmou que os projetos sociais seriam poupados. Ontem, porém, o ministro Guido Mantega (Planejamento) alterou o discurso do governo ao dizer que a ?maioria esmagadora? dos programas sociais seriam preservados e que alguns projetos foram reformulados. O Ministério da Saúde, por exemplo, perdeu R$ 1,62 bilhões de seu orçamento para este ano. O Ministério da Educação teve redução de gastos de R$ 341 milhões. Do Ministério da Integração Social, responsável entre outras coisas por projetos de irrigação no nordeste do país, o governo retirou R$ 1,85 bilhão. O Ministério das Cidades, também ligado a projetos sociais, perdeu R$ 1,87 bilhão. Com os cortes anunciados ontem, os ministérios da Integração e Cidades ficaram com orçamentos irrisórios se comparados com a destinação inicial de recursos. A pasta controlada por Ciro Gomes (Integração) terá R$ 188,6 milhões para gastar, menos do que os recursos destinados para as necessidades do gabinete de Lula ? R$ 284,7 milhões. Olívio Dutra, por sua vez (Cidades), terá R$ 326 milhões. A explicação principal para a necessidade de cortes foi de que o governo Fernando Henrique Cardoso subestimou as despesas em R$ 8,9 bilhões. Na proposta de orçamento, conforme explicação de Mantega, as receitas foram corrigidas com o aumento da inflação. Porém, as despesas, que também são influenciadas pela alta dos preços, não foram atualizadas. Por exemplo: os gastos com pessoal tiveram diferença de R$ 1,8 bilhão e com benefícios da Previdência, R$ 11 bilhões. Força Sindical cobra promessas O salário mínimo deve ser reajustado para R$ 234, de acordo com os mais novos números do Orçamento da União. O aumento será de 17% ?acima da inflação oficial de 12,53% no ano passado registrada pelo IPCA do IBGE, mas abaixo dos 25,31% do IGP-M, que serve como indexador de contratos de energia e de tarifas de serviços públicos. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, disse que rejeitará um salário mínimo para 2003 inferior a R$ 240, enquanto o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, anunciava que o governo está trabalhando com o valor de R$ 234 para o reajuste em 1º de maio. ?Menos do que R$ 240 é pouco. Só queremos que o PT cumpra com as promessas da campanha eleitoral (do presidente Luiz Inácio Lula da Silva)?, disse Paulinho. Sem milagres O presidente Lula disse pela manhã que a resolução dos problemas do Brasil será feita com calma e cuidado. ?Não tem milagres (para resolver a situação). Temos de fazer as coisas certas, sem pressa, com muito cuidado. Não podemos frustrar a confiança do povo. Temos de fazer as coisa direitinho, sem medo de ser feliz?, afirmou. As declarações de Lula foram feitas após cumprimentar populares que o esperavam na saída da residência oficial do presidente, o Palácio do Alvorada, e foi uma resposta a um turista argentino que estava no local.