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Política

‘Forasteiro pode ser o parceiro de amanh�’

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A ciência tem as explicações sob a ótica de quem se debruça a estudar o tema que mexe com a natureza humana, é cercado de polêmica e segue há séculos mobilizando uma legião mundo afora: a política. A Gazeta ouviu Evelina Antunes de Oliveira, professora e pesquisadora em Ciências Sociais na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) há 26 anos, cientista política e socióloga. Ela responde: Gazeta. Municípios com arrecadação alta e repasses elevados de recursos estão entre os mais disputados para as eleições. Seria a ?facilidade? em administrar o município a atrair os candidatos ou o domínio político, o poder? Evelina Antunes. Pensar a política apenas como um meio de se ganhar dinheiro fácil é, e sempre foi, um dos fundamentos do pensamento e da política conservadores. Por quê? Porque nega a incorporação de novos interesses e demandas sociais no jogo da política municipal e, principalmente, porque faz das cidades um palco exclusivo de poucos.Quando se nega a política como espaço de interlocução, de disputas simbólicas e a reduz a um mero comércio o interesse público escorre pelo ralo. Seria esse um dos motivos de pessoas que pouco conhecem do município se lançarem candidatas e transformarem a região numa espécie de casta? Em outras cidades, surge a figura do ?forasteiro?, que chega, ganha a eleição e permanece no cargo, passando de geração a geração? Quando a política municipal é vista autoritariamente apenas como espaço das elites, a maioria das pessoas que mora em cada cidade tem mais dificuldade em participar e muitas acabam pensando que não tem jeito, que nada vai mudar. Aí, as elites deitam e rolam e fazem o que bem querem. Mas este é um cenário em transformação em muitos lugares do mundo, inclusive em Alagoas. Numa situação de política elitista poucos são aqueles que escolhem quem vai entrar no jogo. Observe que o ?forasteiro? de hoje costuma ser o parceiro de amanhã. A figura do forasteiro vem lá do mundo medieval quando qualquer estranho ao burgo poderia ameaçar o domínio do senhor. Portanto, é algo que não funciona num mundo feito de diversas redes de recursos e interesses, como o que vivemos na contemporaneidade. Quem pensa que pode identificar esta ou aquela pessoa como forasteira é porque perdeu o bonde da história. E como as pessoas podem participar mais do processo eleitoral? Todas as pessoas que fazem uma cidade existir devem e podem ser responsáveis por ela. Todos que são necessários à vida naquela cidade, do gari ao empresário, da dona de casa à manobrista de trem, dos jovens empreendedores aos agricultores, da artista plástica à pescadora, etc, portanto, todos podem agir politicamente nela.

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