Política
Reformas em escolas deixam rombo de R$ 15,7 mi
Uma avalanche de concreto caiu sobre a decência na rede estadual de ensino de Alagoas. A dispensa de licitação nas reformas de quase 200 escolas acionou a ignição de um rolo compressor desgovernado, uma máquina nociva aos cofres públicos que passou por cima de inúmeros princípios legais. Se o dano ao erário foi concretado, o Ministério Público Estadual (MP) e a Controladoria-Geral da União (CGU) se munem de britadeiras para ter acesso aos alicerces subterrâneos desta ?obra de engenharia? que trouxe um prejuízo ainda incalculável ao patrimônio maior do povo alagoano: a educação das suas crianças e jovens. O estrondo começou pelo desabamento do teto da Escola Dom Constantino Luers, em Campo Alegre, que deixou 19 alunos feridos, em agosto de 2011. O risco era evidente e o mesmo podia acontecer em outras estruturas carcomidas pela ação do tempo e inação do desleixo. A resposta imediata do governo de então foi decretar estado de emergência de 90 dias para reformar 151 escolas, que estariam concluídas até o final daquele ano. LENTIDÃO Só que a tal emergência ficou lenta, foi prorrogada sucessivas vezes e deixou milhares de alunos sem aulas. Mais de dois anos depois, ainda havia escolas fechadas por causa das reformas, cuja lista contava 193 unidades até outubro de 2013. Na contramão desta enxurrada de obras sem a fiscalização adequada, a 19ª Promotoria de Justiça da Capital enfrentou sérios obstáculos para nadar contra toneladas de entulhos e manobras processuais, com a façanha de não morrer na praia. Com fôlego de atleta e o escudo da lei, a promotora Cecília Carnaúba pode ter conseguido comprovar um dos mais graves casos de improbidade administrativa de que se tem notícia na Educação de Alagoas. Junto com o coordenador do Núcleo de Defesa do Patrimônio Público, José Carlos Castro, ela ingressou com Ação Civil Pública (ACP) por improbidade administrativa que aponta um dano ao erário de, por enquanto, R$ 15,7 milhões.