Política
DIRETORES DAS UNIDADES FORAM OS PRIMEIROS A FLAGRAR OS PROBLEMAS
Os estragos não tardaram a aparecer. Cerca de um ano após as obras, os diretores de todas as escolas reformadas em Maceió declararam que graves problemas estruturais foram mantidos e que os serviços não foram realizados de acordo com as necessidades do estabelecimento de ensino. Sem exceção, todos os diretores das 113 unidades inspecionadas confirmaram as suspeitas de improbidade administrativa, com a falta de execução ou má execução dos serviços contratados (e, diga-se, pagos a peso de ouro). Além do descalabro constatado pela 19ª Promotoria da Capital, a Controladoria-Geral da União decidiu fazer uma fiscalização minuciosa, por amostragem, em cinco das escolas reformadas. Ao comparar as documentações do que foi contratado pelo Estado com o que foi executado pelas empresas, a CGU elaborou um relatório com um calhamaço de evidências, recheado por provas e fotografias que agudizam a óbvia lambança com o dinheiro do povo. Com base neste relatório, Cecília Carnaúba afirma que ingressou com a ação de improbidade para responsabilizar todos os agentes e ressarcir o erário no valor que já foi comprovado. ?Também pedimos [à Justiça] que determine uma perícia técnica em todas as escolas da capital, já que 90% delas passaram por reformas?, completa a promotora de Justiça. Na amostragem realizada entre maio de 2014 e abril de 2015, a CGU informa os valores do que não foi executado e do que foi mal executado nas cinco escolas. Também foi incluído o ?não fornecimento de produtos e materiais atestados, faturados e pagos, com características de superfaturamento?. O prejuízo comprovado nas planilhas da CGU se refere às obras realizadas em cinco escolas: em Maceió, a Júlio Auto; Rosalvo Lôbo, no bairro de Jatiúca; Escola de Cegos Cyro Accioly, no centro da capital; Padre Francisco Correia, em Santana do Ipanema; e Dom Constantino Luers, em Campo Alegre.