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Reparos custaram mais barato

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Parece insano, mas como encontrar lógica para uma coisa dessa? Com apenas R$ 15 mil, o diretor do Centro Educacional Cyro Accioly resolveu boa parte dos problemas que não foram resolvidos pela reforma que custou R$ 125 mil aos cofres públicos. O recurso liberado pelo Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), no segundo semestre do ano passado, foi utilizado para consertar os defeitos gerados pela obra mal feita. ?Com estes R$ 15 mil, a gente ajeitou a parte elétrica, corrigiu os vazamentos, trocou a calha nos pontos mais críticos, fez o retelhamento onde estava mais precisando, raspou as paredes, emassou e fez a pintura em algumas salas que precisavam por causa das goteiras e do mofo?, resume o diretor Walter Simões, com simplicidade. ?Só não fizemos mais coisas porque o dinheiro não deu, agora estamos aguardando outra parcela do PDDE para manutenção e continuidade dos reparos?, conclui. Muitos diretores de escolas pensam que nem precisaria essas reformas todas, tão grandiosas, com decreto de urgência e sem licitação. Bastava fazer os reparos certos, como na Cyro Accioly. ?Infelizmente é um gasto do dinheiro público, que é desperdiçado, mal utilizado, o governo às vezes tem até boa vontade de fazer, mas por conta de uma falta de fiscalização eficiente há um desleixo?. Walter lembra que está há quinze anos na escola e já testemunhou três reformas. ?Eles fazem a obra de qualquer jeito e não consultam a gente, aqui há técnicos, pessoas capacitadas para orientá-los, por exemplo, como deveria ser o piso tátil, o centro estadual deveria ser altamente adaptado para atender os deficientes visuais, mas há falhas arquitetônicas, erros de projeto?. A aluna Maria de Fátima dos Santos afirma que é muito ruim perceber como as coisas foram mal feitas. ?Não é porque a pessoa é deficiente visual que ela não percebe, não sente a situação errada, a realidade do lugar. A nossa sensibilidade talvez até seja muito maior porque a gente não vê, mas apura os outros sentidos, o cheiro, a audição, o tato, o paladar e sabe muito bem que esta foi uma reforma muito irresponsável?.

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